Caderno de Saúde 02

Perfil Epidemiológico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Aurora do Pará


Sumário

  1. 1. Apresentação
  2. Resumo Executivo
  3. 2. Perfil de Mortalidade
  4. 3. Saúde Materno-Infantil
  5. 4. Morbidade e Doenças Crônicas
  6. 5. Vigilância das Doenças Transmissíveis
  7. 6. Doenças Tropicais Negligenciadas e Endemias Locais
  8. 7. Saúde Mental e Causas Externas
  9. 8. Qualidade da Informação Epidemiológica
  10. 9. Problemas Priorizados para o DOMI
  11. Legislação Citada
  12. Fontes de Dados
  13. Links Utilizados
  14. Referências
  15. Glossário

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
BR-010Rodovia Federal Belém-Brasília (eixo Belém-Paragominas-Imperatriz)
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CID-10Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
CMSConselho Municipal de Saúde
DCNTDoenças Crônicas Não Transmissíveis
DGMPSistema Digital de Gestão dos Municípios e Profissionais (Ministério da Saúde)
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
e-SUS ABSistema de Informação para Atenção Básica do Ministério da Saúde
IAMInfarto Agudo do Miocárdio
ICSABInternações por Condições Sensíveis à Atenção Básica
IECInstituto Evandro Chagas (Ananindeua-PA)
LTALeishmaniose Tegumentar Americana
MIFMulher em Idade Fértil (10 a 49 anos)
NVNascido Vivo
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
SAMUServiço de Atendimento Móvel de Urgência
SIH/SUSSistema de Informações Hospitalares do SUS
SIMSistema de Informação sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIPNISistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SUSSistema Único de Saúde
TBTuberculose
UBSUnidade Básica de Saúde
VISAVigilância Sanitária

Lista de Tabelas

  1. Tabela 1, Painel DW: Nascidos vivos e indicadores materno-infantis (2022-2025)
  2. Tabela 2, Painel DW: Mortalidade geral por capítulo CID-10 (2022-2025)
  3. Tabela 3, Painel DW: Agravos notificados em destaque (2022-2025)
  4. Tabela 4, Mortalidade geral, total de óbitos por ano (2022-2025)
  5. Tabela 5, Composição da mortalidade por grandes grupos (2022-2025)
  6. Tabela 6, Investigação de óbitos materno-infantis e MIF
  7. Tabela 7, Indicadores materno-infantis pactuados, linha de base e metas
  8. Tabela 8, Cobertura de pré-natal e razão de cesáreas (2022-2025)
  9. Tabela 9, Município de ocorrência dos partos de mães residentes (2021-2025)
  10. Tabela 10, Estabelecimentos de ocorrência dos partos de mães residentes (2020-2024)
  11. Tabela 11, Tipo de gestão dos estabelecimentos de ocorrência (2020-2024)
  12. Tabela 12, Internações por causas selecionadas (SIH/SUS)
  13. Tabela 13, ICSAB e parâmetros de comparação
  14. Tabela 14, Tuberculose, hanseníase e sífilis, série local 2022-2025
  15. Tabela 15, Dengue e arboviroses, perfil entomológico-assistencial
  16. Tabela 16, Saúde mental, alertas para suicídio e agressões
  17. Tabela 17, Indicadores de qualidade da informação
  18. Tabela 18, Problemas priorizados para o DOMI 2026-2029

Lista de Gráficos

  1. Gráfico 1, Total de óbitos por ano (2022-2025)
  2. Gráfico 2, Óbitos por causas selecionadas (circulatório, neoplasias, externas, respiratório)
  3. Gráfico 3, Nascidos vivos e cesáreas (2022-2025)
  4. Gráfico 4, Pré-natal com 7 ou mais consultas, série local
  5. Gráfico 5, Gravidez na adolescência (10-19 anos), proporção de NV

Lista de Quadros

  1. Quadro 1, Capítulos CID-10 com maior peso na mortalidade do quadriênio
  2. Quadro 2, Diretrizes do PMS 2026-2029 vinculadas ao perfil epidemiológico
  3. Quadro 3, Encaminhamentos prioritários para a Atenção Primária e a Vigilância

1. Apresentação

Este caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do Plano Municipal de Saúde 2026-2029 de Aurora do Pará. O recorte é o perfil epidemiológico e a morbimortalidade, com foco nas condições que mais oneram o sistema, nas vulnerabilidades materno-infantis e nas endemias amazônicas que estruturam o cotidiano do nordeste paraense. O objetivo é fornecer ao gestor, ao Conselho Municipal de Saúde e às equipes técnicas uma leitura consolidada da carga de doença atual, com a tradução analítica que o painel bruto de dados sozinho não oferece.

Aurora do Pará é município de Porte Pequeno II (entre 20 mil e 50 mil habitantes) localizado no nordeste paraense, integrado à Região de Saúde Metropolitana III (CIR Metropolitana III, conforme Portaria GM/MS 8.124 de 17 de setembro de 2025) e atravessado pela BR-010, eixo Belém, Paragominas, Imperatriz. A população residente em 2025 é de 24.193 habitantes, com saldo decadal de -18,0% (revisão do Censo 2022 + declínio sustentado no pós-Censo). A pirâmide etária permanece relativamente jovem (25,8% de crianças, 9,9% de adolescentes, 53,6% de adultos e 10,8% de idosos), porém a base infantil retrai e a faixa 60+ avança em ritmo acelerado, o que muda a natureza da demanda assistencial e exige reorientação do PMS 2026-2029.

Como insumo, este caderno usa as bases locais consolidadas no Data Warehouse Akapu (SIM, SINASC e SINAN do município, quando disponíveis) e, na ausência destas, recorre ao DATASUS federal armazenado no DW, registrando a substituição. Os indicadores materno-infantis seguem a metodologia do Ministério da Saúde, expressa nos Pactos Interfederativos e na Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017 (instrumentos de gestão do SUS). A leitura prioriza séries históricas, recortes territoriais e a articulação com a rede regional via CIR Metropolitana III, evitando interpretações pontuais a partir de variações absolutas pequenas, comuns em municípios de pequeno porte.

Município: Aurora do Pará (PA, IBGE 150095). Macrorregião: Metropolitana, eixo nordeste paraense. Região de Saúde: Metropolitana III (CIR Metropolitana III, Portaria GM/MS 8.124/2025). Polo regional: Castanhal, com retaguarda hospitalar em Belém via BR-010. Porte: Pequeno II. População 2025: 24.193 habitantes.
Nota metodológica. Em populações pequenas, variações absolutas modestas geram percentuais expressivos. Por isso, a leitura prioriza tendências da janela 2015-2025 (11 anos), comparação regional/estadual e cruzamento entre fontes (SIM, SINASC, SINAN, SIH/SUS, e-SUS AB). Indicadores com baixa estabilidade estatística estão sinalizados ao longo do texto e condicionam recomendações ao PMS.

Resumo Executivo

Aurora do Pará entra no PMS 2026-2029 com perfil epidemiológico tipicamente amazônico em transição. A mortalidade total anual oscila em torno de 125 óbitos por ano (média 2022-2025), com dois sinais que pedem leitura conjunta. Primeiro, as doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX, CID I00-I99) mantêm-se como principal causa de morte, com 103 óbitos no quadriênio e pico de 33 óbitos em 2025, aderente ao envelhecimento da população. Segundo, as neoplasias (Capítulo II, CID C00-C97) aceleram em 2025 (18 óbitos contra 10 nos dois anos anteriores), o que impõe linha de cuidado oncológica regional como prioridade do quadriênio.

As causas externas (Capítulo XX, CID V01-Y98) respondem por aproximadamente 16% da mortalidade total, com 83 óbitos no período e estabilidade na faixa de 19 a 22 óbitos por ano. O município tem perfil rural com extrativismo, agropecuária e mototáxi, vinculado à BR-010, o que sugere predomínio de acidentes de transporte e quedas em ambiente de trabalho. Os sinais e sintomas mal definidos (Capítulo XVIII, CID R00-R99) somam 73 óbitos, indicando lacuna relevante de qualidade do registro de óbito que precisa ser enfrentada pela vigilância e pela APS antes que qualquer meta de redução de mortalidade possa ser monitorada com confiança.

No componente materno-infantil, o município registra base de nascidos vivos elevada para o porte (média de 356 NV/ano, 14,7 NV por 1.000 hab. em 2025), pré-natal de 7 ou mais consultas em torno de 71% (média do quadriênio, com pico em 2024) e gravidez na adolescência com proporção média de 22%, acima da média nacional (cerca de 14%). A taxa de cesáreas se mantém alta, com 203 procedimentos sobre 321 NV em 2025 (63,2%), bem acima da meta de parto normal do SUS. O SIM local não registra óbitos infantis no quadriênio, achado que pode refletir investigação subdimensionada e exige cotejo imediato com o SIM federal e com o Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Maternos, Infantis e Fetais.

Na vigilância de doenças transmissíveis, o painel de notificações do quadriênio destaca tuberculose (33 casos), dengue (23), hanseníase (7), sífilis gestacional (8) e sífilis congênita (2), com um caso registrado de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). A tuberculose como agravo de maior volume e a coexistência de hanseníase e sífilis congênita pedem intensificação de busca ativa, qualificação do tratamento diretamente observado (TDO) e correção do fluxo de pré-natal para evitar transmissão vertical. A dengue/arboviroses exige sustentação dos ciclos de visita e atenção às áreas mais densas da sede municipal, sem descuidar das comunidades rurais ao longo da BR-010 e dos travessões.

Para o quadriênio 2026-2029, o caderno orienta seis frentes prioritárias para o DOMI:

  • Linha de cuidado oncológica regional, com qualificação do rastreamento (mama, colo de útero, próstata) e fluxo regulado para o polo hospitalar de Castanhal/Belém.
  • Estratificação de risco cardiovascular em 100% das equipes de Saúde da Família, articulada à dispensação contínua de medicamentos para hipertensão e diabetes.
  • Plano municipal de qualificação do pré-natal, com captação no 1º trimestre, rastreio de sífilis, e correção da subnotificação do campo "consultas pré-natal" no SINASC.
  • Redução da gravidez na adolescência via PSE robusto e planejamento reprodutivo, integrado à educação e à assistência social.
  • Plano municipal de prevenção da violência e do suicídio, articulado com Segurança Pública, CAPS regional e SAMU, com vigilância contínua das notificações em todas as UBS.
  • Limpeza cadastral do e-SUS AB e cruzamento com SIM/SINASC, condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento (Saúde Brasil 360, Piso APS, Portaria GM/MS 3.493/2024).

2. Perfil de Mortalidade

2.1. Mortalidade geral

A mortalidade geral de Aurora do Pará no quadriênio 2022-2025 totaliza 499 óbitos, com média de 124,75 por ano. A taxa bruta de mortalidade em 2025, calculada sobre a população residente IBGE de 24.193 habitantes, é de aproximadamente 5,7 óbitos por 1.000 habitantes, valor compatível com municípios de pequeno porte da Amazônia, mas que tende a crescer com o envelhecimento da população. A oscilação anual (130, 130, 101, 138) reflete tanto o tamanho amostral quanto a sazonalidade de eventos críticos. A queda de 2024 (101 óbitos) seguida do pico de 2025 (138 óbitos) pede leitura cautelosa e cotejo com o SIM federal.

AnoÓbitos totaisCausas externasNeoplasiasCirculatórioMal definidos (estimativa)
202213021142418
202313021102219
202410119102417
202513822183319
Total499835210373

Fonte: SIM, base local municipal. Mal definidos: Capítulo XVIII (CID R00-R99), valor estimado a partir do total do quadriênio.

2.2. Composição por capítulo CID-10

A leitura por capítulo da CID-10 ordena as prioridades do quadriênio e dialoga com as diretrizes do PMS. As doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX) lideram com 103 óbitos (20,6% do total), seguidas pelas causas externas (Capítulo XX) com 83 óbitos (16,6%), pelos sinais e sintomas mal definidos (Capítulo XVIII) com 73 óbitos (14,6%), pelas doenças do aparelho respiratório (Capítulo X) com 54 óbitos (10,8%) e pelas neoplasias (Capítulo II) com 52 óbitos (10,4%). Em conjunto, os cinco capítulos respondem por aproximadamente 73% de toda a mortalidade do quadriênio.

Capítulo CID-10Óbitos no quadriênio%Implicação para o PMS 2026-2029
IX. Aparelho circulatório (I00-I99)10320,6%Estratificação de risco cardiovascular nas equipes de Saúde da Família e dispensação contínua para hipertensão e diabetes.
XX. Causas externas (V01-Y98)8316,6%Plano de prevenção de acidentes de transporte (BR-010 e mototáxi) e da violência interpessoal, com vigilância em todas as UBS.
XVIII. Mal definidos (R00-R99)7314,6%Capacitação de profissionais médicos para preenchimento da Declaração de Óbito; revisão pelo Comitê de Mortalidade.
X. Aparelho respiratório (J30-J98 e correlatos)5410,8%Cobertura vacinal de influenza e pneumococo em idosos; manejo de DPOC e asma na APS.
II. Neoplasias (C00-C97)5210,4%Linha de cuidado oncológica regional via CIR Metropolitana III; rastreamento de mama, colo, próstata e cólon.
Alerta de qualidade. 14,6% dos óbitos do quadriênio (73 de 499) estão classificados como mal definidos (Capítulo XVIII, CID R00-R99). A meta nacional do MS é de no máximo 5%. Esse é o gargalo a ser superado antes que qualquer outro indicador de mortalidade possa ser monitorado com confiança no PMS 2026-2029.

2.2.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito

O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.

AnoTotal de óbitosMal definidas (R00-R99)% mal definidas
20221302015,4%
20231302620,0%
202410198,9%
20251381813,0%
Qualidade da causa básica: no quadriênio, 73 de 499 óbitos ficaram em R00-R99 (14,6%). A meta nacional de referência é manter mal definidas abaixo de 5%; quando o percentual municipal fica acima disso, a primeira intervenção do PMS deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade.
Capítulo prioritárioCID-10DescriçãoÓbitos% do capítulo% do total
IX. Aparelho circulatorioI64Acidente vascular cerebral nao especificado2322,3%4,6%
IX. Aparelho circulatorioI21Infarto agudo do miocardio2221,4%4,4%
IX. Aparelho circulatorioI11Doenca cardiaca hipertensiva1110,7%2,2%
IX. Aparelho circulatorioI50Insuficiencia cardiaca76,8%1,4%
IX. Aparelho circulatorioI25Doenca isquemica cronica do coracao76,8%1,4%
XX. Causas externasX93Agressao por disparo de arma de fogo de mao1821,7%3,6%
XX. Causas externasV89Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado1012,0%2,0%
XX. Causas externasX99Agressao por objeto cortante ou penetrante910,8%1,8%
XX. Causas externasX95Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada78,4%1,4%
XX. Causas externasV44Ocupante de automovel traumatizado em colisao com veiculo pesado/onibus56,0%1,0%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR98Morte sem assistencia4156,2%8,2%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR99Outras causas mal definidas e nao especificadas de mortalidade1926,0%3,8%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR96Outras mortes subitas de causa desconhecida1013,7%2,0%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR54Senilidade22,7%0,4%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR58Hemorragia nao classificada em outra parte11,4%0,2%
X. Aparelho respiratorioJ18Pneumonia por microorganismo nao especificado2648,1%5,2%
X. Aparelho respiratorioJ44Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas1222,2%2,4%
X. Aparelho respiratorioJ11Influenza por virus nao identificado35,6%0,6%
X. Aparelho respiratorioJ15Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte35,6%0,6%
X. Aparelho respiratorioJ96Insuficiencia respiratoria35,6%0,6%
II. NeoplasiasC16Neoplasia maligna do estomago611,5%1,2%
II. NeoplasiasC34Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes611,5%1,2%
II. NeoplasiasC61Neoplasia maligna da prostata47,7%0,8%
II. NeoplasiasC50Neoplasia maligna da mama35,8%0,6%
II. NeoplasiasC22Neoplasia maligna do figado e vias biliares intra-hepaticas35,8%0,6%

Em Aurora do Para, circulatorio se divide principalmente entre AVC sem especificacao, infarto agudo do miocardio e cardiopatia hipertensiva, orientando linha de cuidado de hipertensao, diabetes, dor toracica e AVC. Nas causas externas, agressao por arma de fogo e acidentes de transporte aparecem junto ao eixo BR-010/mototaxi. A proporcao de R98/R99/R96 torna obrigatoria a qualificacao da Declaracao de Obito antes de metas refinadas de mortalidade.

2.3. Mortalidade prematura por DCNT (30 a 69 anos)

A mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) é o indicador-síntese da capacidade do sistema em prevenir mortes evitáveis nesta faixa produtiva. Engloba quatro causas: doenças do aparelho circulatório (CID I00-I99), neoplasias malignas (C00-C97), diabetes mellitus (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36). A população alvo (30 a 69 anos) em Aurora do Pará em 2025 é de 10.322 habitantes (soma das faixas 30-39: 3.528 + 40-49: 3.087 + 50-59: 2.259 + 60-69: 1.448).

O parecer técnico do PMS 2026-2029 registra que a meta de mortalidade prematura por DCNT no novo plano é mais ambiciosa que a do quadriênio anterior (12 → 10 → 9 → 8 contra 10 → 9 → 8 → 7 do PMS 2022-2025), o que requer fortalecimento da rede de Atenção Primária para diagnóstico precoce, controle metabólico e dispensação contínua de medicamentos. A linha de cuidado deve articular as equipes de Saúde da Família, o Hospital Municipal de Aurora do Pará (foco em emergências cardiovasculares) e o polo regional de Castanhal (alta complexidade).

2.4. Mortalidade infantil e materna

O SIM local de Aurora do Pará registra zero óbitos infantis nos quatro anos do quadriênio (2022 a 2025), achado destoante do volume médio de 356 nascidos vivos por ano. Para municípios com esse porte de base de NV, é razoável esperar alguns óbitos em menores de 1 ano por ano, dada a média estadual e nacional. O resultado pode refletir três cenários, todos exigindo investigação imediata: (1) qualidade da informação local, com óbitos infantis ocorrendo em hospitais de referência regional (Castanhal, Belém) e não retornando à base do município de residência; (2) comitê municipal de investigação de óbitos infantis e fetais inativo ou subdimensionado; (3) eventos efetivamente raros, possibilidade que só pode ser sustentada após a confirmação cruzada SIM local com SIM federal.

Recomendação imediata ao PMS 2026-2029. Reativar/qualificar o Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Infantis, Fetais, Maternos e de Mulheres em Idade Fértil (MIF), com meta de 100% de óbitos investigados em até 60 dias e relatório anual ao CMS. Cotejar o SIM local com o SIM federal trimestralmente, identificando óbitos de residentes ocorridos fora do município (Castanhal/Belém).

O parecer técnico de revisão do PMS 2026-2029 registra que a meta de mortalidade infantil para o novo quadriênio é 3 → 2 → 1 → 0 (mais ambiciosa que a do PMS 2022-2025: 6 → 5 → 4 → 3). Já a meta de óbitos maternos é 0 nos quatro anos do quadriênio. A factibilidade dessas metas depende, em primeiro lugar, da qualidade do registro: sem investigação ativa, a meta zero não significa ausência de óbitos, e sim ausência de informação.

3. Saúde Materno-Infantil

3.1. Nascimentos e perfil das mães

Aurora do Pará registrou no quadriênio 2022-2025 um total de 1.423 nascidos vivos, distribuídos em 352 (2022), 396 (2023), 354 (2024) e 321 (2025). A média de 356 NV por ano e a taxa bruta de natalidade de 14,7 NV por 1.000 habitantes em 2025 colocam o município em patamar acima do esperado para o porte populacional, sinalizando perfil reprodutivo ativo e demanda materno-infantil sustentada. A queda em 2025 (-9,3% em relação a 2024) merece monitoramento, mas é compatível com a tendência demográfica de retração da base infantil já registrada no Caderno 01.

AnoNVMães 10-19 anos% gravidez na adolescênciaPré-natal 7+% pré-natal 7+Cesáreas% cesáreaBaixo peso% baixo peso
20223527521,3%21962,2%19655,7%236,5%
20233969123,0%27068,2%21955,3%358,8%
20243548323,4%28179,4%20658,2%308,5%
20253216419,9%23874,1%20363,2%257,8%

Fonte: SINASC, base local municipal. Total do quadriênio: 1.423 NV.

3.2. Pré-natal e captação precoce

A proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram 7 ou mais consultas de pré-natal apresenta tendência positiva no quadriênio: 62,2% em 2022, 68,2% em 2023, 79,4% em 2024 e 74,1% em 2025 (queda de 5,3 pontos percentuais no último ano). A média do período é de aproximadamente 71%, com pico em 2024. O parâmetro ideal do Ministério da Saúde é 80% ou mais; a meta pactuada no PMS 2026-2029 é 60 → 61 → 61,5 → 62 (pré-natal 7+), considerada baixa pelo parecer técnico de revisão e em regressão em relação ao PMS 2022-2025 (55 → 65 → 75 → 85).

Atenção do CMS. A meta de pré-natal 7+ pactuada no DOMI do PMS 2026-2029 (62% ao final do quadriênio) está 12,1 pontos percentuais abaixo do desempenho efetivo do município em 2025 (74,1%). Recomenda-se reabrir a discussão da meta com o CMS antes da aprovação final, evitando retrocesso pactuado.

3.3. Cesárea e parto normal

A taxa de cesárea em Aurora do Pará permanece elevada e crescente: 55,7% em 2022, 55,3% em 2023, 58,2% em 2024 e 63,2% em 2025. Em 2025, foram 203 cesáreas para 321 nascidos vivos. A média nacional do SUS para parto normal é de aproximadamente 55%, ou seja, 45% de cesárea; Aurora do Pará está acima desse patamar e em piora. As partidas estão sendo realizadas majoritariamente fora do município (Castanhal e Belém, polos da Região Metropolitana III), o que dificulta o controle direto do indicador pela SMS de Aurora do Pará e exige pactuação regional via CIR para implementar boas práticas obstétricas.

3.3.1. Onde acontecem os partos das mães residentes

A distribuição territorial dos partos confirma que Aurora do Pará mantém capacidade local relevante, mas não autossuficiente. No SINASC local, considerando mães residentes entre 2021 e 2025, 56,7% dos partos ocorreram no próprio município. A parcela restante se distribui principalmente entre Belém, Castanhal, Ipixuna do Pará e Mãe do Rio, evidenciando dependência regional para intercorrências, gestações de maior risco e possivelmente para parte das cesáreas.

Município de ocorrênciaUFPartos no período% do total
Aurora do ParáPA1.04156,7%
BelémPA39921,7%
CastanhalPA1588,6%
Ipixuna do ParáPA965,2%
Mãe do RioPA502,7%
AnanindeuaPA362,0%
ParagominasPA251,4%
Outros municípiosPA/AP/MT321,7%

Fonte: SINASC, base local municipal. Mães residentes em Aurora do Pará; período 2021-2025; total de 1.837 nascidos vivos.

No recorte por estabelecimento do SINASC/DATASUS 2020-2024, o Hospital Municipal de Aurora do Pará é o principal ponto de ocorrência, com 56,5% dos partos das residentes. Ainda assim, a Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, responde por quase um quinto do total, e Castanhal, Ipixuna do Pará e Mãe do Rio completam a rede prática de referência obstétrica. Isso torna necessário monitorar o retorno da informação clínica ao município de residência e pactuar boas práticas obstétricas com os serviços que concentram cesáreas.

Estabelecimento / CNESMunicípioTipo de gestãoPartos no período% do total
Hospital Municipal de Aurora do ParáAurora do Pará/PAMunicipal1.06156,5%
Santa Casa de Misericórdia do ParáBelém/PAEstadual36619,5%
Hospital MagalhãesCastanhal/PAMunicipal1407,5%
Hospital Santa ClaraIpixuna do Pará/PAMunicipal945,0%
CLIMED PrimeMãe do Rio/PAMunicipal331,8%
ABSJCastanhal/PADupla231,2%
Outros estabelecimentos e registros sem CNESPA/AP/MTMunicipal/estadual/dupla/sem informação1628,6%

Fonte: SINASC/DATASUS e CNES/SCNES. Mães residentes em Aurora do Pará; período 2020-2024; total de 1.879 nascidos vivos.

A síntese por gestão mostra que a maior parte da resposta obstétrica das residentes permanece em estabelecimentos de gestão municipal, mas há dependência expressiva da rede estadual, especialmente pela Santa Casa em Belém. Para o PMS, o ponto de gestão é duplo: qualificar o parto local quando indicado e garantir referência regulada, segura e com contrarreferência para os casos que saem do município.

Tipo de gestãoPartos no período% do total
Municipal1.45977,6%
Estadual37520,0%
Dupla301,6%
Sem informação150,8%

Fonte: SINASC/DATASUS e CNES/SCNES. Mães residentes em Aurora do Pará; período 2020-2024.

3.4. Gravidez na adolescência

A proporção de NV de mães com 10 a 19 anos no quadriênio é alta e estruturalmente acima da média nacional (cerca de 14%): 21,3% em 2022, 23,0% em 2023, 23,4% em 2024 e 19,9% em 2025 (queda de 3,5 pontos percentuais no último ano). A média do quadriênio é 21,9%. A faixa feminina de 10 a 19 anos do município em 2025 totaliza 2.040 adolescentes (1.114 entre 10-14 + 1.110 entre 15-19, descontando a parcela masculina). Em 2025, 64 dessas adolescentes deram à luz.

A queda de 2025 é positiva, mas requer sustentação. O combate à gravidez na adolescência exige articulação intersetorial: planejamento reprodutivo na APS, Programa Saúde na Escola (PSE) com ações educativas e distribuição de preservativos, articulação com a Assistência Social para identificação de adolescentes em situação de vulnerabilidade, e atuação do CAPS na prevenção da violência sexual. A meta da Diretriz 2 do PMS 2026-2029 deve ser pactuada com o CMS de modo decrescente.

3.5. Baixo peso ao nascer

A proporção de baixo peso ao nascer (NV com menos de 2.500 g) oscila no quadriênio entre 6,5% (2022), 8,8% (2023), 8,5% (2024) e 7,8% (2025), com média de 7,9%. O parâmetro da Organização Mundial da Saúde (OMS) é manter o indicador abaixo de 10%. Aurora do Pará está abaixo do limite, mas a tendência é de subida desde 2022 e merece atenção, pois baixo peso ao nascer está associado a complicações neonatais, prematuridade, comprometimento do desenvolvimento e mortalidade infantil. A captação precoce no pré-natal e o monitoramento nutricional da gestante são as estratégias mais efetivas.

3.6. Investigação de óbitos materno-infantis

Conforme registrado em 2.4, o SIM local de Aurora do Pará não registra óbitos infantis no quadriênio. A meta do PMS 2026-2029 é investigar 100% dos óbitos infantis e fetais em até 60 dias, 100% dos óbitos de mulheres em idade fértil (MIF, 10-49 anos) e 100% dos óbitos maternos. A factibilidade dessa meta exige a reativação plena do Comitê Municipal de Investigação, com ata trimestral e relatório anual ao Conselho Municipal de Saúde.

4. Morbidade e Doenças Crônicas

4.1. Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica (ICSAB)

As ICSAB são internações que poderiam ter sido evitadas pelo manejo adequado na Atenção Primária. Compõem o indicador hipertensão, diabetes, asma, infecções urinárias, gastroenterites, doenças preveníveis por imunização, entre outras. A linha de base do PMS 2022-2025 era de 45% e a meta atual no DOMI 2026-2029 é 36 → 35,5 → 35 → 34,5, em regressão em relação ao plano anterior (45 → 35 → 30 → 25), conforme registrado pelo parecer técnico. O parâmetro nacional médio é de 25 a 30%.

IndicadorLinha de base 2022Meta PMS 2022-2025Meta PMS 2026-2029Parâmetro nacional
Proporção de ICSAB sobre internações totais45%25%34,5%25-30%
Cobertura APS65%100%100%100%
Atenção do CMS. A meta de ICSAB do PMS 2026-2029 (34,5% ao final do quadriênio) é menos ambiciosa que a do PMS 2022-2025 (25%). O parecer técnico recomenda reabrir a discussão com o CMS para retomar ambição equivalente ou superior, com justificativa técnica documentada se o município mantiver a meta menor.

4.2. Hipertensão e diabetes

Os dados específicos de prevalência de hipertensão e diabetes em Aurora do Pará dependem da consolidação do e-SUS AB local no Data Warehouse, ainda em construção. Indicadores indiretos disponíveis sinalizam a magnitude do problema: as doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX) são a principal causa de morte do município (103 óbitos no quadriênio), e a hipertensão é determinante de internações e óbitos por acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio. A proposta de emenda parlamentar 36000750224202600 (R$ 1,24 milhão) destinada a Rastreamento e Controle de Condições Crônicas reforça a centralidade do tema no PMS 2026-2029.

4.3. Internações por causas externas

A morbidade hospitalar por causas externas é significativa em Aurora do Pará por dois fatores estruturais: (i) a passagem da BR-010 pelo município, com tráfego intenso de caminhões e motocicletas; (ii) o uso massivo de motocicletas como meio de transporte e como atividade ocupacional (mototáxi). Acidentes de trânsito, quedas em ambiente de trabalho rural (extrativismo, agricultura familiar) e violência interpessoal compõem o perfil. A análise desagregada por capítulo CID (V01-V99 transportes, W00-W19 quedas, X85-Y09 agressões) depende da importação plena do SIH/SUS no DW e está marcada como lacuna no item 8 deste caderno.

5. Vigilância das Doenças Transmissíveis

5.1. Tuberculose

A tuberculose é o agravo de notificação com maior volume em Aurora do Pará no quadriênio: 33 casos registrados, segundo o painel SINAN/DATASUS consolidado no DW. Esse volume é expressivo para um município de Porte Pequeno II e indica circulação ativa do bacilo. O Pará está entre os estados de maior coeficiente de incidência da tuberculose no Brasil, e o nordeste paraense tem características epidemiológicas (vulnerabilidade social, condições de moradia, coinfecção HIV) que favorecem a transmissão. O PMS 2026-2029 deve sustentar metas de cura de TB pulmonar bacilífera, testagem anti-HIV em 100% dos casos novos e tratamento diretamente observado (TDO) com busca ativa de faltosos.

Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária

Para Aurora do Pará, a base local municipal SINAN de 2025 ainda não está disponível no Data Warehouse Akapu com detalhamento por sexo e faixa etária. O painel do caderno já utiliza o agregado SINAN/DATASUS 2022-2025 para orientar prioridades (tuberculose, dengue, violências, sífilis em gestante, hanseníase, sífilis congênita e LTA), mas esse agregado não permite, nesta rodada, construir o cruzamento sexo-faixa do ano civil de 2025 com segurança.

Nota metodológica. Não foram materializados números de 2025 por sexo e faixa etária para Aurora do Pará porque não há schema local SINAN disponível para o município e o resumo operacional usado nesta rodada não trouxe fallback federal detalhado. Para evitar inferência indevida, a leitura abaixo mantém apenas os volumes quadrienais já consolidados no caderno e registra a lacuna como prioridade de carga/validação antes do fechamento do PMS 2026-2029.
Agravo priorizado no painel disponívelNotificações no quadriênioSituação do detalhamento 2025 sexo-faixaImplicação para a vigilância municipal
Tuberculose33Indisponível nesta rodadaManter TDO, busca ativa de sintomáticos respiratórios, testagem anti-HIV e investigação de contatos.
Dengue23Indisponível nesta rodadaSustentar ciclos de visita, vigilância laboratorial e resposta rápida em áreas da sede e dos travessões.
Violências interpessoais23Indisponível nesta rodadaAtivar notificação contínua em todas as UBS, com fluxo intersetorial de proteção.
Sífilis em gestante8Indisponível nesta rodadaGarantir testagem no pré-natal e tratamento oportuno da gestante e da parceria sexual.
Hanseníase7Indisponível nesta rodadaExaminar contatos intradomiciliares e monitorar cura dos casos novos.
Sífilis congênita2Indisponível nesta rodadaInvestigar cada caso como evento sentinela de falha no pré-natal.
Leishmaniose tegumentar americana1Indisponível nesta rodadaManter suspeição clínica em áreas rurais e fluxo diagnóstico regional.

A lacuna não altera a prioridade programática já identificada: Aurora precisa fortalecer vigilância de tuberculose e hanseníase, controle de arboviroses, linha de cuidado de IST no pré-natal e notificação qualificada de violências. A desagregação sexo-faixa de 2025 deve ser refeita assim que a base local ou o fallback federal detalhado estiver disponível, porque esse recorte é necessário para diferenciar exposição ocupacional, vulnerabilidade de adolescentes, risco materno-infantil e demanda específica de adultos jovens.

5.2. Hanseníase

Aurora do Pará registrou 7 casos novos de hanseníase no quadriênio. O Pará é estado endêmico para hanseníase, com históricos coeficientes de detecção entre os mais altos do Brasil. Em municípios pequenos, 7 casos em 4 anos significam que a doença permanece ativa e exige busca ativa de contatos intradomiciliares (meta de 99% no PMS 2026-2029) e cura de casos novos (meta de 100%). A intersetorialidade com a APS, a vigilância e a articulação regional são essenciais para sustentar o tratamento de longa duração.

5.3. Sífilis (gestacional e congênita)

Foram notificados 8 casos de sífilis em gestantes e 2 casos de sífilis congênita no quadriênio. A sífilis congênita é evento sentinela: cada caso indica oportunidade perdida no pré-natal (ou rastreio não realizado, ou tratamento incompleto, ou reexposição não detectada). Os 2 casos de sífilis congênita registrados no quadriênio devem ser todos investigados pelo Comitê Municipal, com identificação da falha no fluxo do pré-natal. A meta razoável para o PMS 2026-2029 é zero casos de sífilis congênita até 2029.

5.4. Dengue e arboviroses

Aurora do Pará registrou 23 notificações de dengue no quadriênio. A região amazônica, e particularmente o nordeste paraense conectado pela BR-010, está em área de risco permanente para arboviroses urbanas (dengue, zika, chikungunya), com transmissão sustentada pelo Aedes aegypti. A meta de zero óbitos por dengue, herdada do PMS 2022-2025 e mantida no PMS 2026-2029, é o piso a ser garantido. Os ciclos de visitas domiciliares de combate ao vetor (LIRAa) precisam atingir 80% de cobertura em pelo menos 6 ciclos por ano, com atenção especial à sede municipal e às vilas ao longo da BR-010.

5.5. HIV/Aids

O painel disponível no DW agrega o município ao DATASUS federal, sem desagregação local plena para HIV/Aids no quadriênio. A meta sugerida pelo Ministério da Saúde para diagnóstico tardio (CD4 menor que 200 ao diagnóstico) é redução progressiva. A ampliação da testagem rápida na APS, em todas as gestantes (em pelo menos duas ocasiões no pré-natal), na população masculina (que tradicionalmente busca pouco a unidade) e em populações em situação de vulnerabilidade é a estratégia central, articulada à Diretriz 2 do PMS 2026-2029.

AgravoNotificações no quadriênioImplicação
Tuberculose33Volume mais alto. Sustentar TDO, testagem anti-HIV e busca de faltosos.
Dengue23Sustentar 6 ciclos LIRAa por ano e meta de zero óbitos.
Violências interpessoais23Notificação obrigatória em todas as UBS; articulação com Segurança Pública.
Sífilis em gestante8Rastreio em duas ocasiões no pré-natal; tratamento da gestante e do parceiro.
Hanseníase7Cura de 100% dos casos novos; exame de 99% dos contatos intradomiciliares.
Sífilis congênita2Evento sentinela. Investigar 100% dos casos. Meta: zero até 2029.
LTA1Endemia amazônica. Diagnóstico via Instituto Evandro Chagas (Ananindeua).

6. Doenças Tropicais Negligenciadas e Endemias Locais

6.1. Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA)

A LTA é doença tropical negligenciada endêmica na Amazônia, causada por protozoários do gênero Leishmania (principalmente L. braziliensis, L. guyanensis e L. amazonensis), transmitidos pela picada do flebotomíneo do gênero Lutzomyia (mosquito-palha). Aurora do Pará registra um caso confirmado no quadriênio. O perfil regional de LTA combina exposição ocupacional em áreas de mata ciliar (extrativismo, agricultura familiar, derrubada), borda urbano-rural e travessões. O diagnóstico parasitológico depende de encaminhamento ao Instituto Evandro Chagas (IEC), em Ananindeua, e o tratamento ambulatorial é realizado nas UBS com antimoniais pentavalentes (Glucantime, componente estratégico federal); casos mucosos ou graves (anfotericina B) demandam internação via PPI para Belém ou Castanhal.

6.2. Doença de Chagas Aguda

O PMS 2026-2029 traz como meta nova o controle da Chagas Aguda (meta 2.1.19 conforme parecer técnico). O Pará é o estado com maior número de notificações de Chagas Aguda do Brasil, predominantemente por transmissão oral (consumo de açaí ou bacaba contaminados). Aurora do Pará está em região onde o açaí é parte da dieta cotidiana, o que justifica a inclusão do agravo no plano. A vigilância exige articulação com VISA (boas práticas de manipulação de polpa de açaí), vigilância sentinela em UBS e capacitação de profissionais para suspeita clínica precoce.

6.3. Raiva humana e acidentes por animais peçonhentos

O PMS 2026-2029 também inclui meta de controle da raiva humana (2.1.23, conforme parecer técnico). Em municípios rurais da Amazônia, os principais reservatórios de risco são morcegos hematófagos (raiva silvestre) e cães e gatos não vacinados. As ações de vacinação antirrábica animal e a profilaxia humana pós-exposição (PEP) precisam estar disponíveis em todas as UBS. Acidentes por animais peçonhentos (cobras, escorpiões, abelhas) também são frequentes em áreas rurais; o tratamento com soro antiofídico é gratuito pelo SUS e demanda articulação com a Coordenação Estadual de Vigilância para garantir disponibilidade contínua.

6.4. Intoxicação por agrotóxicos

O PMS 2026-2029 inclui meta de redução de intoxicações por agrotóxicos (2.1.25, conforme parecer técnico), achado coerente com o perfil agropecuário do município. Aurora do Pará tem economia baseada em agropecuária e extrativismo, com uso disseminado de agrotóxicos em pequenas e médias propriedades, frequentemente sem equipamento de proteção individual e sem destinação adequada de embalagens. A vigilância exige integração com a Vigilância Sanitária, capacitação dos ACS para identificação de intoxicações crônicas, e articulação com a Secretaria Municipal de Agricultura e a EMATER para difusão de boas práticas.

7. Saúde Mental e Causas Externas

7.1. Mortalidade por causas externas

As causas externas (Capítulo XX, CID V01-Y98) somam 83 óbitos no quadriênio (16,6% da mortalidade total), com volume estável entre 19 e 22 por ano. Embora o painel agregado disponível não permita ainda a desagregação fina por mecanismo (acidentes de transporte V01-V99, agressões X85-Y09, lesões autoprovocadas X60-X84, quedas W00-W19), o perfil rural do município e a presença da BR-010 sugerem predomínio de acidentes de transporte e quedas em ambiente de trabalho. A desagregação completa é lacuna que será sanada com a importação plena do SIM e do SIH no DW (item 8.1).

AnoÓbitos por causas externasMortalidade geral% causas externas / mortalidade
20222113016,2%
20232113016,2%
20241910118,8%
20252213815,9%
Total/Média8349916,6%

7.2. Violências e prevenção do suicídio

O painel SINAN do quadriênio registra 23 notificações de violências, número que provavelmente subestima a magnitude real. A subnotificação de violências é histórica no SUS, especialmente em municípios com poucas unidades notificantes ativas. A meta do PMS 2026-2029 é elevar a 100% a proporção de unidades de saúde com notificação contínua de violência (linha de base do plano anterior, em torno de 1%). A capacitação dos profissionais para identificação, acolhimento e notificação é prerrequisito; a articulação com Conselho Tutelar, Assistência Social e Segurança Pública é o pilar intersetorial.

A vigilância do suicídio em municípios pequenos exige atenção redobrada. Cada óbito por lesão autoprovocada (CID X60-X84) deve disparar análise pelo Comitê Municipal e protocolo de pósvenção (acompanhamento das famílias enlutadas). O acesso ao CAPS (regional, com pactuação via CIR Metropolitana III) e a capacitação das equipes da ESF para identificação de risco (PHQ-2, PHQ-9) são estratégias estruturantes.

7.3. Articulação com saúde mental, SAMU e atenção domiciliar

A proposta de emenda parlamentar 36000778759202600 (R$ 1 milhão, MAC) prevê reforço de SAMU, saúde mental e atenção domiciliar (Melhor em Casa, EMAD/EMAP), com pactuação regional via CIR. A integração entre vigilância (notificações de violência), assistência (CAPS regional, atenção domiciliar) e regulação (SAMU, transporte sanitário) é o que efetivamente reduz mortalidade por causas externas e por suicídio em municípios pequenos.

8. Qualidade da Informação Epidemiológica

8.1. Lacunas identificadas

LacunaFonte esperadaImpacto na análise
Mortalidade por causas externas desagregada por tipo (transporte, agressão, autoprovocada, quedas)SIM (filtro CID V01-Y98)Impossibilidade de calibrar política de prevenção; não diferenciar BR-010 de violência interpessoal.
Internações por causas externas (SIH/SUS)SIH local (filtro CID V01-Y98)Magnitude da morbidade hospitalar por trauma e violência subdimensionada.
Investigação de óbitos infantis e fetaisComitê Municipal + SIM0 óbitos infantis no SIM local não é confirmação de zero, e sim de registro a confirmar.
Cobertura vacinal por imunobiológico (SIPNI)SIPNI/MS, SI-PNI no DWHeterogeneidade vacinal não monitorável; impacto direto sobre vacinação infantil.
Prevalência de hipertensão e diabetese-SUS AB localPerfil de DCNT baseado apenas em mortalidade e internação, não em risco gerenciado.
Notificações desagregadas por agravo SINANSINAN localTendência de incidência por agravo não construída; metas pactuadas sem rastreabilidade.

8.2. Sinais e sintomas mal definidos

Os 73 óbitos classificados como mal definidos no quadriênio (Capítulo XVIII, CID R00-R99) representam 14,6% do total, valor cerca de 3 vezes acima da meta nacional (5%). Esse percentual indica que parcela relevante das Declarações de Óbito é preenchida sem diagnóstico de causa básica claro, comprometendo qualquer análise epidemiológica subsequente. A capacitação de médicos para preenchimento da DO e a revisão sistemática pelo Comitê Municipal de Mortalidade são as ações de maior retorno do PMS 2026-2029. Sem isso, qualquer redução observada nos demais capítulos pode ser apenas migração de classificação.

Recomendação à Diretriz 2 do PMS 2026-2029. Estabelecer meta progressiva: reduzir a proporção de óbitos com causa básica mal definida de 14,6% (média do quadriênio anterior) para 5% até 2029, com etapas anuais de 12% (2026), 10% (2027), 7% (2028) e 5% (2029).

9. Problemas Priorizados para o DOMI

#ProblemaEvidênciaImplicação para o PMS 2026-2029
E1Subregistro de óbitos infantis no SIM local0 óbitos infantis em 4 anos com 1.423 NV (SIM local 2022-2025)Reativar Comitê Municipal de Investigação; meta de 100% de investigação em até 60 dias.
E2Alta proporção de óbitos com causa mal definida73 óbitos (14,6%) no quadriênio (Cap. XVIII, CID R00-R99)Capacitação para preenchimento da DO e meta de redução para 5% até 2029.
E3Crescimento das mortes por neoplasias18 óbitos em 2025 (+80% vs 2024), com 52 no quadriênioLinha de cuidado oncológica regional via CIR Metropolitana III; rastreamento ativo.
E4Mortalidade circulatória persistente103 óbitos no quadriênio, pico de 33 em 2025Estratificação de risco em 100% das eSF; dispensação contínua de HAS/DM.
E5Causas externas com volume estável83 óbitos no quadriênio (16,6%); BR-010 e mototáxi no perfilPlano de prevenção de acidentes de transporte e da violência; vigilância em todas as UBS.
E6Cesárea elevada e crescente63,2% em 2025 (vs meta SUS 45%)Pactuação regional via CIR para boas práticas obstétricas.
E7Gravidez na adolescência acima da média nacionalMédia do quadriênio 21,9% (vs 14% nacional)PSE robusto, planejamento reprodutivo, articulação com educação e assistência social.
E8Pré-natal 7+ pactuado abaixo do realizado74,1% em 2025 vs meta DOMI 62% em 2029Reabrir discussão da meta com o CMS antes da aprovação final.
E9Tuberculose com volume relevante33 casos no quadriênioSustentar TDO, busca de faltosos, testagem anti-HIV em 100%.
E10Hanseníase ativa em município pequeno7 casos novos no quadriênioCura de 100% dos casos; exame de 99% dos contatos intradomiciliares.
E11Sífilis congênita persistente2 casos no quadriênio (evento sentinela)Investigar 100%; meta de zero casos até 2029; rastreio em duas ocasiões no pré-natal.
E12Endemias amazônicas (LTA, Chagas, raiva, agrotóxicos)1 caso de LTA; metas novas no PMS 2026-2029Vigilância integrada com VISA, Agricultura, EMATER; PEP antirrábica em todas as UBS.
E13ICSAB com meta menos ambiciosa que o plano anteriorMeta DOMI 34,5% (2029) vs 25% no PMS 2022-2025Reabrir discussão com o CMS; meta deve perseguir parâmetro nacional.
E14Lacunas estruturais de informação (SIPNI, e-SUS AB)Cobertura vacinal por imunobiológico e DCNT na APS sem rastreabilidadeLimpeza cadastral do e-SUS AB e integração SIPNI no DW como pré-requisito.
Quadro 2, Diretrizes do PMS 2026-2029 vinculadas ao perfil epidemiológico
  • Diretriz 1, Atenção Primária: cobertura APS 65% → 100%; ICSAB 34,5%; pré-natal 7+; rastreamento de câncer feminino; planejamento reprodutivo.
  • Diretriz 2, Vigilância em Saúde: TB, hanseníase, sífilis, dengue, Chagas Aguda, raiva, agrotóxicos; redução de óbitos mal definidos.
  • Diretriz 3, Atenção Especializada e Hospitalar: linha oncológica regional via CIR; reforma e ampliação do Hospital Municipal de Aurora do Pará (Diretriz 6).
  • Diretriz 4, Saúde Mental: CAPS regional; prevenção do suicídio; vigilância de violências.
  • Diretriz 5, Controle Social: ouvidoria ativa; reuniões regulares do CMS; análise dos relatórios do Comitê de Mortalidade.
  • Diretriz 6, Modelo de Atenção e Infraestrutura: equipamentos do laboratório municipal, frota da Vigilância, eMulti vinculada à AB.

Legislação Citada

  1. Constituição Federal de 1988, art. 196 a 200 (Sistema Único de Saúde).
  2. Lei 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde, dispõe sobre a organização do SUS).
  3. Lei 8.142/1990 (participação da comunidade na gestão do SUS e transferências intergovernamentais).
  4. Lei Complementar 141/2012 (regulamentação do art. 198 da CF; aplicação mínima de recursos em ações e serviços públicos de saúde).
  5. Decreto 7.508/2011 (regulamenta a Lei 8.080/1990; Mapa da Saúde, Regiões de Saúde, COAP).
  6. Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017 (consolida normas sobre direitos e deveres dos usuários da saúde, organização e funcionamento do SUS; instrumentos de gestão, Título IV).
  7. Portaria de Consolidação GM/MS 2/2017 (Anexo IX, Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa).
  8. Portaria de Consolidação GM/MS 5/2017 (consolida normas sobre as ações e serviços de saúde do SUS).
  9. Portaria GM/MS 3.493/2024 (cofinanciamento federal do Piso da Atenção Primária à Saúde no Saúde Brasil 360, em substituição ao Previne Brasil).
  10. Lei 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa).
  11. Lei 8.213/1991 (aposentadoria rural, art. 39 e 143).
  12. Lei 8.742/1993 (Benefício de Prestação Continuada - BPC, art. 20).

Fontes de Dados

  • SIM (base local municipal): Sistema de Informação sobre Mortalidade do município, base local consolidada no DW Akapu. Período: 2022-2025.
  • SINASC (base local municipal): Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do município. Períodos: 2021-2025 e 2022-2025.
  • SINASC/DATASUS e CNES/SCNES: estabelecimentos de ocorrência e tipo de gestão dos partos das mães residentes. Período: 2020-2024.
  • SINAN (base local): Sistema de Informação de Agravos de Notificação consolidado no DW Akapu, com filtro por município de residência (Aurora do Pará, IBGE 150095). Período: 2022-2025.
  • SIM federal (DATASUS) consolidado no DW Akapu, para cotejo com o SIM (base local municipal).
  • SIH/SUS (Sistema de Informações Hospitalares do SUS) consolidado no DW Akapu, com filtro por município de residência (Aurora do Pará, IBGE 150095). Em integração no DW.
  • SISAB (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica): produção APS para Aurora do Pará. Em consolidação no DW para análises do Caderno 09.
  • IBGE, dados demográficos consolidados em base demográfica IBGE consolidada: estimativas anuais 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579, variável 9324), Censo Demográfico 2022 e estimativas 2023-2025.
  • PMS 2022-2025 e PMS 2026-2029 de Aurora do Pará: linhas de base, metas pactuadas e DOMI. Documentos vigentes no DGMP/MS.
  • Parecer técnico de revisão do PMS 2026-2029 (assessoria Akapu, 2026-04-17): inconsistências identificadas e recomendações ao CMS.

Referências

  • Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Planejamento no SUS. Brasília: Fiocruz/MS, edições atualizadas. (Capítulos 4 e 5: Mapa da Saúde e Análise de Situação de Saúde.)
  • Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes para a Programação Anual de Saúde 2026 e Plano Municipal de Saúde 2026-2029. Brasília: SE/MS, 2025.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 32 - Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco. Brasília: MS, 2012.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação. 4ª ed. Brasília: MS, 2020.
  • Brasil. Ministério da Saúde / SVS. Boletins epidemiológicos de tuberculose, hanseníase, sífilis e leishmanioses. Edições anuais.
  • Organização Mundial da Saúde. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems, 10th revision (CID-10). Genebra: OMS.

Glossário

TermoDefinição operacional
CIR (Comissão Intergestores Regional)Instância de governança regional do SUS, espaço de pactuação entre o estado e os municípios da Região de Saúde. Não é o mesmo que Região de Saúde, que é o recorte territorial.
Região de SaúdeRecorte territorial do Mapa da Saúde, agrupando municípios contíguos para organização da rede e da regulação assistencial. Aurora do Pará integra a Região de Saúde Metropolitana III, conforme Portaria GM/MS 8.124/2025.
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores. Estrutura formal do PMS prevista na Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017, Título IV.
ICSABInternações por Condições Sensíveis à Atenção Básica, internações que poderiam ter sido evitadas pela APS (lista brasileira definida pelo MS).
Mal definidosÓbitos com causa básica classificada no Capítulo XVIII da CID-10 (R00-R99, sinais, sintomas e achados anormais), indicador de qualidade do registro.
MIF (Mulher em Idade Fértil)Mulher entre 10 e 49 anos. Investigação de 100% dos óbitos de MIF é estratégia para captar óbitos maternos não classificados como tal.
Pré-natal 7+Proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram 7 ou mais consultas de pré-natal. Parâmetro ideal MS: ≥ 80%.
PSE (Programa Saúde na Escola)Política intersetorial entre Saúde e Educação que leva ações de promoção, prevenção e atenção à saúde para o ambiente escolar.
SubnotificaçãoEventos em saúde (óbitos, agravos, internações) que ocorrem mas não são registrados no sistema de informação. Compromete análises epidemiológicas e dimensionamento de políticas.
TDO (Tratamento Diretamente Observado)Estratégia da Atenção Básica para acompanhamento da tomada de medicação por pacientes com tuberculose, ampliando a probabilidade de cura.
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