Perfil Epidemiológico
Plano Municipal de Saúde 2026-2029
Aurora do Pará
Sumário
- 1. Apresentação
- Resumo Executivo
- 2. Perfil de Mortalidade
- 3. Saúde Materno-Infantil
- 4. Morbidade e Doenças Crônicas
- 5. Vigilância das Doenças Transmissíveis
- 6. Doenças Tropicais Negligenciadas e Endemias Locais
- 7. Saúde Mental e Causas Externas
- 8. Qualidade da Informação Epidemiológica
- 9. Problemas Priorizados para o DOMI
- Legislação Citada
- Fontes de Dados
- Links Utilizados
- Referências
- Glossário
Lista de Siglas e Abreviações
| Sigla | Significado |
|---|---|
| APS | Atenção Primária à Saúde |
| ASIS | Análise de Situação de Saúde |
| BR-010 | Rodovia Federal Belém-Brasília (eixo Belém-Paragominas-Imperatriz) |
| CAPS | Centro de Atenção Psicossocial |
| CID-10 | Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão |
| CIR | Comissão Intergestores Regional |
| CNES | Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde |
| CMS | Conselho Municipal de Saúde |
| DCNT | Doenças Crônicas Não Transmissíveis |
| DGMP | Sistema Digital de Gestão dos Municípios e Profissionais (Ministério da Saúde) |
| DOMI | Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores |
| e-SUS AB | Sistema de Informação para Atenção Básica do Ministério da Saúde |
| IAM | Infarto Agudo do Miocárdio |
| ICSAB | Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica |
| IEC | Instituto Evandro Chagas (Ananindeua-PA) |
| LTA | Leishmaniose Tegumentar Americana |
| MIF | Mulher em Idade Fértil (10 a 49 anos) |
| NV | Nascido Vivo |
| PMS | Plano Municipal de Saúde |
| RAG | Relatório Anual de Gestão |
| SAMU | Serviço de Atendimento Móvel de Urgência |
| SIH/SUS | Sistema de Informações Hospitalares do SUS |
| SIM | Sistema de Informação sobre Mortalidade |
| SINAN | Sistema de Informação de Agravos de Notificação |
| SINASC | Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos |
| SIPNI | Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações |
| SISAB | Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica |
| SUS | Sistema Único de Saúde |
| TB | Tuberculose |
| UBS | Unidade Básica de Saúde |
| VISA | Vigilância Sanitária |
Lista de Tabelas
- Tabela 1, Painel DW: Nascidos vivos e indicadores materno-infantis (2022-2025)
- Tabela 2, Painel DW: Mortalidade geral por capítulo CID-10 (2022-2025)
- Tabela 3, Painel DW: Agravos notificados em destaque (2022-2025)
- Tabela 4, Mortalidade geral, total de óbitos por ano (2022-2025)
- Tabela 5, Composição da mortalidade por grandes grupos (2022-2025)
- Tabela 6, Investigação de óbitos materno-infantis e MIF
- Tabela 7, Indicadores materno-infantis pactuados, linha de base e metas
- Tabela 8, Cobertura de pré-natal e razão de cesáreas (2022-2025)
- Tabela 9, Município de ocorrência dos partos de mães residentes (2021-2025)
- Tabela 10, Estabelecimentos de ocorrência dos partos de mães residentes (2020-2024)
- Tabela 11, Tipo de gestão dos estabelecimentos de ocorrência (2020-2024)
- Tabela 12, Internações por causas selecionadas (SIH/SUS)
- Tabela 13, ICSAB e parâmetros de comparação
- Tabela 14, Tuberculose, hanseníase e sífilis, série local 2022-2025
- Tabela 15, Dengue e arboviroses, perfil entomológico-assistencial
- Tabela 16, Saúde mental, alertas para suicídio e agressões
- Tabela 17, Indicadores de qualidade da informação
- Tabela 18, Problemas priorizados para o DOMI 2026-2029
Lista de Gráficos
- Gráfico 1, Total de óbitos por ano (2022-2025)
- Gráfico 2, Óbitos por causas selecionadas (circulatório, neoplasias, externas, respiratório)
- Gráfico 3, Nascidos vivos e cesáreas (2022-2025)
- Gráfico 4, Pré-natal com 7 ou mais consultas, série local
- Gráfico 5, Gravidez na adolescência (10-19 anos), proporção de NV
Lista de Quadros
- Quadro 1, Capítulos CID-10 com maior peso na mortalidade do quadriênio
- Quadro 2, Diretrizes do PMS 2026-2029 vinculadas ao perfil epidemiológico
- Quadro 3, Encaminhamentos prioritários para a Atenção Primária e a Vigilância
1. Apresentação
Este caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do Plano Municipal de Saúde 2026-2029 de Aurora do Pará. O recorte é o perfil epidemiológico e a morbimortalidade, com foco nas condições que mais oneram o sistema, nas vulnerabilidades materno-infantis e nas endemias amazônicas que estruturam o cotidiano do nordeste paraense. O objetivo é fornecer ao gestor, ao Conselho Municipal de Saúde e às equipes técnicas uma leitura consolidada da carga de doença atual, com a tradução analítica que o painel bruto de dados sozinho não oferece.
Aurora do Pará é município de Porte Pequeno II (entre 20 mil e 50 mil habitantes) localizado no nordeste paraense, integrado à Região de Saúde Metropolitana III (CIR Metropolitana III, conforme Portaria GM/MS 8.124 de 17 de setembro de 2025) e atravessado pela BR-010, eixo Belém, Paragominas, Imperatriz. A população residente em 2025 é de 24.193 habitantes, com saldo decadal de -18,0% (revisão do Censo 2022 + declínio sustentado no pós-Censo). A pirâmide etária permanece relativamente jovem (25,8% de crianças, 9,9% de adolescentes, 53,6% de adultos e 10,8% de idosos), porém a base infantil retrai e a faixa 60+ avança em ritmo acelerado, o que muda a natureza da demanda assistencial e exige reorientação do PMS 2026-2029.
Como insumo, este caderno usa as bases locais consolidadas no Data Warehouse Akapu (SIM, SINASC e SINAN do município, quando disponíveis) e, na ausência destas, recorre ao DATASUS federal armazenado no DW, registrando a substituição. Os indicadores materno-infantis seguem a metodologia do Ministério da Saúde, expressa nos Pactos Interfederativos e na Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017 (instrumentos de gestão do SUS). A leitura prioriza séries históricas, recortes territoriais e a articulação com a rede regional via CIR Metropolitana III, evitando interpretações pontuais a partir de variações absolutas pequenas, comuns em municípios de pequeno porte.
Resumo Executivo
Aurora do Pará entra no PMS 2026-2029 com perfil epidemiológico tipicamente amazônico em transição. A mortalidade total anual oscila em torno de 125 óbitos por ano (média 2022-2025), com dois sinais que pedem leitura conjunta. Primeiro, as doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX, CID I00-I99) mantêm-se como principal causa de morte, com 103 óbitos no quadriênio e pico de 33 óbitos em 2025, aderente ao envelhecimento da população. Segundo, as neoplasias (Capítulo II, CID C00-C97) aceleram em 2025 (18 óbitos contra 10 nos dois anos anteriores), o que impõe linha de cuidado oncológica regional como prioridade do quadriênio.
As causas externas (Capítulo XX, CID V01-Y98) respondem por aproximadamente 16% da mortalidade total, com 83 óbitos no período e estabilidade na faixa de 19 a 22 óbitos por ano. O município tem perfil rural com extrativismo, agropecuária e mototáxi, vinculado à BR-010, o que sugere predomínio de acidentes de transporte e quedas em ambiente de trabalho. Os sinais e sintomas mal definidos (Capítulo XVIII, CID R00-R99) somam 73 óbitos, indicando lacuna relevante de qualidade do registro de óbito que precisa ser enfrentada pela vigilância e pela APS antes que qualquer meta de redução de mortalidade possa ser monitorada com confiança.
No componente materno-infantil, o município registra base de nascidos vivos elevada para o porte (média de 356 NV/ano, 14,7 NV por 1.000 hab. em 2025), pré-natal de 7 ou mais consultas em torno de 71% (média do quadriênio, com pico em 2024) e gravidez na adolescência com proporção média de 22%, acima da média nacional (cerca de 14%). A taxa de cesáreas se mantém alta, com 203 procedimentos sobre 321 NV em 2025 (63,2%), bem acima da meta de parto normal do SUS. O SIM local não registra óbitos infantis no quadriênio, achado que pode refletir investigação subdimensionada e exige cotejo imediato com o SIM federal e com o Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Maternos, Infantis e Fetais.
Na vigilância de doenças transmissíveis, o painel de notificações do quadriênio destaca tuberculose (33 casos), dengue (23), hanseníase (7), sífilis gestacional (8) e sífilis congênita (2), com um caso registrado de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). A tuberculose como agravo de maior volume e a coexistência de hanseníase e sífilis congênita pedem intensificação de busca ativa, qualificação do tratamento diretamente observado (TDO) e correção do fluxo de pré-natal para evitar transmissão vertical. A dengue/arboviroses exige sustentação dos ciclos de visita e atenção às áreas mais densas da sede municipal, sem descuidar das comunidades rurais ao longo da BR-010 e dos travessões.
Para o quadriênio 2026-2029, o caderno orienta seis frentes prioritárias para o DOMI:
- Linha de cuidado oncológica regional, com qualificação do rastreamento (mama, colo de útero, próstata) e fluxo regulado para o polo hospitalar de Castanhal/Belém.
- Estratificação de risco cardiovascular em 100% das equipes de Saúde da Família, articulada à dispensação contínua de medicamentos para hipertensão e diabetes.
- Plano municipal de qualificação do pré-natal, com captação no 1º trimestre, rastreio de sífilis, e correção da subnotificação do campo "consultas pré-natal" no SINASC.
- Redução da gravidez na adolescência via PSE robusto e planejamento reprodutivo, integrado à educação e à assistência social.
- Plano municipal de prevenção da violência e do suicídio, articulado com Segurança Pública, CAPS regional e SAMU, com vigilância contínua das notificações em todas as UBS.
- Limpeza cadastral do e-SUS AB e cruzamento com SIM/SINASC, condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento (Saúde Brasil 360, Piso APS, Portaria GM/MS 3.493/2024).
2. Perfil de Mortalidade
2.1. Mortalidade geral
A mortalidade geral de Aurora do Pará no quadriênio 2022-2025 totaliza 499 óbitos, com média de 124,75 por ano. A taxa bruta de mortalidade em 2025, calculada sobre a população residente IBGE de 24.193 habitantes, é de aproximadamente 5,7 óbitos por 1.000 habitantes, valor compatível com municípios de pequeno porte da Amazônia, mas que tende a crescer com o envelhecimento da população. A oscilação anual (130, 130, 101, 138) reflete tanto o tamanho amostral quanto a sazonalidade de eventos críticos. A queda de 2024 (101 óbitos) seguida do pico de 2025 (138 óbitos) pede leitura cautelosa e cotejo com o SIM federal.
| Ano | Óbitos totais | Causas externas | Neoplasias | Circulatório | Mal definidos (estimativa) |
|---|---|---|---|---|---|
| 2022 | 130 | 21 | 14 | 24 | 18 |
| 2023 | 130 | 21 | 10 | 22 | 19 |
| 2024 | 101 | 19 | 10 | 24 | 17 |
| 2025 | 138 | 22 | 18 | 33 | 19 |
| Total | 499 | 83 | 52 | 103 | 73 |
Fonte: SIM, base local municipal. Mal definidos: Capítulo XVIII (CID R00-R99), valor estimado a partir do total do quadriênio.
2.2. Composição por capítulo CID-10
A leitura por capítulo da CID-10 ordena as prioridades do quadriênio e dialoga com as diretrizes do PMS. As doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX) lideram com 103 óbitos (20,6% do total), seguidas pelas causas externas (Capítulo XX) com 83 óbitos (16,6%), pelos sinais e sintomas mal definidos (Capítulo XVIII) com 73 óbitos (14,6%), pelas doenças do aparelho respiratório (Capítulo X) com 54 óbitos (10,8%) e pelas neoplasias (Capítulo II) com 52 óbitos (10,4%). Em conjunto, os cinco capítulos respondem por aproximadamente 73% de toda a mortalidade do quadriênio.
| Capítulo CID-10 | Óbitos no quadriênio | % | Implicação para o PMS 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| IX. Aparelho circulatório (I00-I99) | 103 | 20,6% | Estratificação de risco cardiovascular nas equipes de Saúde da Família e dispensação contínua para hipertensão e diabetes. |
| XX. Causas externas (V01-Y98) | 83 | 16,6% | Plano de prevenção de acidentes de transporte (BR-010 e mototáxi) e da violência interpessoal, com vigilância em todas as UBS. |
| XVIII. Mal definidos (R00-R99) | 73 | 14,6% | Capacitação de profissionais médicos para preenchimento da Declaração de Óbito; revisão pelo Comitê de Mortalidade. |
| X. Aparelho respiratório (J30-J98 e correlatos) | 54 | 10,8% | Cobertura vacinal de influenza e pneumococo em idosos; manejo de DPOC e asma na APS. |
| II. Neoplasias (C00-C97) | 52 | 10,4% | Linha de cuidado oncológica regional via CIR Metropolitana III; rastreamento de mama, colo, próstata e cólon. |
2.2.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito
O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.
| Ano | Total de óbitos | Mal definidas (R00-R99) | % mal definidas |
|---|---|---|---|
| 2022 | 130 | 20 | 15,4% |
| 2023 | 130 | 26 | 20,0% |
| 2024 | 101 | 9 | 8,9% |
| 2025 | 138 | 18 | 13,0% |
| Capítulo prioritário | CID-10 | Descrição | Óbitos | % do capítulo | % do total |
|---|---|---|---|---|---|
| IX. Aparelho circulatorio | I64 | Acidente vascular cerebral nao especificado | 23 | 22,3% | 4,6% |
| IX. Aparelho circulatorio | I21 | Infarto agudo do miocardio | 22 | 21,4% | 4,4% |
| IX. Aparelho circulatorio | I11 | Doenca cardiaca hipertensiva | 11 | 10,7% | 2,2% |
| IX. Aparelho circulatorio | I50 | Insuficiencia cardiaca | 7 | 6,8% | 1,4% |
| IX. Aparelho circulatorio | I25 | Doenca isquemica cronica do coracao | 7 | 6,8% | 1,4% |
| XX. Causas externas | X93 | Agressao por disparo de arma de fogo de mao | 18 | 21,7% | 3,6% |
| XX. Causas externas | V89 | Acidente com veiculo a motor ou nao motorizado, tipo nao especificado | 10 | 12,0% | 2,0% |
| XX. Causas externas | X99 | Agressao por objeto cortante ou penetrante | 9 | 10,8% | 1,8% |
| XX. Causas externas | X95 | Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada | 7 | 8,4% | 1,4% |
| XX. Causas externas | V44 | Ocupante de automovel traumatizado em colisao com veiculo pesado/onibus | 5 | 6,0% | 1,0% |
| XVIII. Sinais e sintomas mal definidos | R98 | Morte sem assistencia | 41 | 56,2% | 8,2% |
| XVIII. Sinais e sintomas mal definidos | R99 | Outras causas mal definidas e nao especificadas de mortalidade | 19 | 26,0% | 3,8% |
| XVIII. Sinais e sintomas mal definidos | R96 | Outras mortes subitas de causa desconhecida | 10 | 13,7% | 2,0% |
| XVIII. Sinais e sintomas mal definidos | R54 | Senilidade | 2 | 2,7% | 0,4% |
| XVIII. Sinais e sintomas mal definidos | R58 | Hemorragia nao classificada em outra parte | 1 | 1,4% | 0,2% |
| X. Aparelho respiratorio | J18 | Pneumonia por microorganismo nao especificado | 26 | 48,1% | 5,2% |
| X. Aparelho respiratorio | J44 | Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas | 12 | 22,2% | 2,4% |
| X. Aparelho respiratorio | J11 | Influenza por virus nao identificado | 3 | 5,6% | 0,6% |
| X. Aparelho respiratorio | J15 | Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte | 3 | 5,6% | 0,6% |
| X. Aparelho respiratorio | J96 | Insuficiencia respiratoria | 3 | 5,6% | 0,6% |
| II. Neoplasias | C16 | Neoplasia maligna do estomago | 6 | 11,5% | 1,2% |
| II. Neoplasias | C34 | Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes | 6 | 11,5% | 1,2% |
| II. Neoplasias | C61 | Neoplasia maligna da prostata | 4 | 7,7% | 0,8% |
| II. Neoplasias | C50 | Neoplasia maligna da mama | 3 | 5,8% | 0,6% |
| II. Neoplasias | C22 | Neoplasia maligna do figado e vias biliares intra-hepaticas | 3 | 5,8% | 0,6% |
Em Aurora do Para, circulatorio se divide principalmente entre AVC sem especificacao, infarto agudo do miocardio e cardiopatia hipertensiva, orientando linha de cuidado de hipertensao, diabetes, dor toracica e AVC. Nas causas externas, agressao por arma de fogo e acidentes de transporte aparecem junto ao eixo BR-010/mototaxi. A proporcao de R98/R99/R96 torna obrigatoria a qualificacao da Declaracao de Obito antes de metas refinadas de mortalidade.
2.3. Mortalidade prematura por DCNT (30 a 69 anos)
A mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) é o indicador-síntese da capacidade do sistema em prevenir mortes evitáveis nesta faixa produtiva. Engloba quatro causas: doenças do aparelho circulatório (CID I00-I99), neoplasias malignas (C00-C97), diabetes mellitus (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36). A população alvo (30 a 69 anos) em Aurora do Pará em 2025 é de 10.322 habitantes (soma das faixas 30-39: 3.528 + 40-49: 3.087 + 50-59: 2.259 + 60-69: 1.448).
O parecer técnico do PMS 2026-2029 registra que a meta de mortalidade prematura por DCNT no novo plano é mais ambiciosa que a do quadriênio anterior (12 → 10 → 9 → 8 contra 10 → 9 → 8 → 7 do PMS 2022-2025), o que requer fortalecimento da rede de Atenção Primária para diagnóstico precoce, controle metabólico e dispensação contínua de medicamentos. A linha de cuidado deve articular as equipes de Saúde da Família, o Hospital Municipal de Aurora do Pará (foco em emergências cardiovasculares) e o polo regional de Castanhal (alta complexidade).
2.4. Mortalidade infantil e materna
O SIM local de Aurora do Pará registra zero óbitos infantis nos quatro anos do quadriênio (2022 a 2025), achado destoante do volume médio de 356 nascidos vivos por ano. Para municípios com esse porte de base de NV, é razoável esperar alguns óbitos em menores de 1 ano por ano, dada a média estadual e nacional. O resultado pode refletir três cenários, todos exigindo investigação imediata: (1) qualidade da informação local, com óbitos infantis ocorrendo em hospitais de referência regional (Castanhal, Belém) e não retornando à base do município de residência; (2) comitê municipal de investigação de óbitos infantis e fetais inativo ou subdimensionado; (3) eventos efetivamente raros, possibilidade que só pode ser sustentada após a confirmação cruzada SIM local com SIM federal.
O parecer técnico de revisão do PMS 2026-2029 registra que a meta de mortalidade infantil para o novo quadriênio é 3 → 2 → 1 → 0 (mais ambiciosa que a do PMS 2022-2025: 6 → 5 → 4 → 3). Já a meta de óbitos maternos é 0 nos quatro anos do quadriênio. A factibilidade dessas metas depende, em primeiro lugar, da qualidade do registro: sem investigação ativa, a meta zero não significa ausência de óbitos, e sim ausência de informação.
3. Saúde Materno-Infantil
3.1. Nascimentos e perfil das mães
Aurora do Pará registrou no quadriênio 2022-2025 um total de 1.423 nascidos vivos, distribuídos em 352 (2022), 396 (2023), 354 (2024) e 321 (2025). A média de 356 NV por ano e a taxa bruta de natalidade de 14,7 NV por 1.000 habitantes em 2025 colocam o município em patamar acima do esperado para o porte populacional, sinalizando perfil reprodutivo ativo e demanda materno-infantil sustentada. A queda em 2025 (-9,3% em relação a 2024) merece monitoramento, mas é compatível com a tendência demográfica de retração da base infantil já registrada no Caderno 01.
| Ano | NV | Mães 10-19 anos | % gravidez na adolescência | Pré-natal 7+ | % pré-natal 7+ | Cesáreas | % cesárea | Baixo peso | % baixo peso |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2022 | 352 | 75 | 21,3% | 219 | 62,2% | 196 | 55,7% | 23 | 6,5% |
| 2023 | 396 | 91 | 23,0% | 270 | 68,2% | 219 | 55,3% | 35 | 8,8% |
| 2024 | 354 | 83 | 23,4% | 281 | 79,4% | 206 | 58,2% | 30 | 8,5% |
| 2025 | 321 | 64 | 19,9% | 238 | 74,1% | 203 | 63,2% | 25 | 7,8% |
Fonte: SINASC, base local municipal. Total do quadriênio: 1.423 NV.
3.2. Pré-natal e captação precoce
A proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram 7 ou mais consultas de pré-natal apresenta tendência positiva no quadriênio: 62,2% em 2022, 68,2% em 2023, 79,4% em 2024 e 74,1% em 2025 (queda de 5,3 pontos percentuais no último ano). A média do período é de aproximadamente 71%, com pico em 2024. O parâmetro ideal do Ministério da Saúde é 80% ou mais; a meta pactuada no PMS 2026-2029 é 60 → 61 → 61,5 → 62 (pré-natal 7+), considerada baixa pelo parecer técnico de revisão e em regressão em relação ao PMS 2022-2025 (55 → 65 → 75 → 85).
3.3. Cesárea e parto normal
A taxa de cesárea em Aurora do Pará permanece elevada e crescente: 55,7% em 2022, 55,3% em 2023, 58,2% em 2024 e 63,2% em 2025. Em 2025, foram 203 cesáreas para 321 nascidos vivos. A média nacional do SUS para parto normal é de aproximadamente 55%, ou seja, 45% de cesárea; Aurora do Pará está acima desse patamar e em piora. As partidas estão sendo realizadas majoritariamente fora do município (Castanhal e Belém, polos da Região Metropolitana III), o que dificulta o controle direto do indicador pela SMS de Aurora do Pará e exige pactuação regional via CIR para implementar boas práticas obstétricas.
3.3.1. Onde acontecem os partos das mães residentes
A distribuição territorial dos partos confirma que Aurora do Pará mantém capacidade local relevante, mas não autossuficiente. No SINASC local, considerando mães residentes entre 2021 e 2025, 56,7% dos partos ocorreram no próprio município. A parcela restante se distribui principalmente entre Belém, Castanhal, Ipixuna do Pará e Mãe do Rio, evidenciando dependência regional para intercorrências, gestações de maior risco e possivelmente para parte das cesáreas.
| Município de ocorrência | UF | Partos no período | % do total |
|---|---|---|---|
| Aurora do Pará | PA | 1.041 | 56,7% |
| Belém | PA | 399 | 21,7% |
| Castanhal | PA | 158 | 8,6% |
| Ipixuna do Pará | PA | 96 | 5,2% |
| Mãe do Rio | PA | 50 | 2,7% |
| Ananindeua | PA | 36 | 2,0% |
| Paragominas | PA | 25 | 1,4% |
| Outros municípios | PA/AP/MT | 32 | 1,7% |
Fonte: SINASC, base local municipal. Mães residentes em Aurora do Pará; período 2021-2025; total de 1.837 nascidos vivos.
No recorte por estabelecimento do SINASC/DATASUS 2020-2024, o Hospital Municipal de Aurora do Pará é o principal ponto de ocorrência, com 56,5% dos partos das residentes. Ainda assim, a Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, responde por quase um quinto do total, e Castanhal, Ipixuna do Pará e Mãe do Rio completam a rede prática de referência obstétrica. Isso torna necessário monitorar o retorno da informação clínica ao município de residência e pactuar boas práticas obstétricas com os serviços que concentram cesáreas.
| Estabelecimento / CNES | Município | Tipo de gestão | Partos no período | % do total |
|---|---|---|---|---|
| Hospital Municipal de Aurora do Pará | Aurora do Pará/PA | Municipal | 1.061 | 56,5% |
| Santa Casa de Misericórdia do Pará | Belém/PA | Estadual | 366 | 19,5% |
| Hospital Magalhães | Castanhal/PA | Municipal | 140 | 7,5% |
| Hospital Santa Clara | Ipixuna do Pará/PA | Municipal | 94 | 5,0% |
| CLIMED Prime | Mãe do Rio/PA | Municipal | 33 | 1,8% |
| ABSJ | Castanhal/PA | Dupla | 23 | 1,2% |
| Outros estabelecimentos e registros sem CNES | PA/AP/MT | Municipal/estadual/dupla/sem informação | 162 | 8,6% |
Fonte: SINASC/DATASUS e CNES/SCNES. Mães residentes em Aurora do Pará; período 2020-2024; total de 1.879 nascidos vivos.
A síntese por gestão mostra que a maior parte da resposta obstétrica das residentes permanece em estabelecimentos de gestão municipal, mas há dependência expressiva da rede estadual, especialmente pela Santa Casa em Belém. Para o PMS, o ponto de gestão é duplo: qualificar o parto local quando indicado e garantir referência regulada, segura e com contrarreferência para os casos que saem do município.
| Tipo de gestão | Partos no período | % do total |
|---|---|---|
| Municipal | 1.459 | 77,6% |
| Estadual | 375 | 20,0% |
| Dupla | 30 | 1,6% |
| Sem informação | 15 | 0,8% |
Fonte: SINASC/DATASUS e CNES/SCNES. Mães residentes em Aurora do Pará; período 2020-2024.
3.4. Gravidez na adolescência
A proporção de NV de mães com 10 a 19 anos no quadriênio é alta e estruturalmente acima da média nacional (cerca de 14%): 21,3% em 2022, 23,0% em 2023, 23,4% em 2024 e 19,9% em 2025 (queda de 3,5 pontos percentuais no último ano). A média do quadriênio é 21,9%. A faixa feminina de 10 a 19 anos do município em 2025 totaliza 2.040 adolescentes (1.114 entre 10-14 + 1.110 entre 15-19, descontando a parcela masculina). Em 2025, 64 dessas adolescentes deram à luz.
A queda de 2025 é positiva, mas requer sustentação. O combate à gravidez na adolescência exige articulação intersetorial: planejamento reprodutivo na APS, Programa Saúde na Escola (PSE) com ações educativas e distribuição de preservativos, articulação com a Assistência Social para identificação de adolescentes em situação de vulnerabilidade, e atuação do CAPS na prevenção da violência sexual. A meta da Diretriz 2 do PMS 2026-2029 deve ser pactuada com o CMS de modo decrescente.
3.5. Baixo peso ao nascer
A proporção de baixo peso ao nascer (NV com menos de 2.500 g) oscila no quadriênio entre 6,5% (2022), 8,8% (2023), 8,5% (2024) e 7,8% (2025), com média de 7,9%. O parâmetro da Organização Mundial da Saúde (OMS) é manter o indicador abaixo de 10%. Aurora do Pará está abaixo do limite, mas a tendência é de subida desde 2022 e merece atenção, pois baixo peso ao nascer está associado a complicações neonatais, prematuridade, comprometimento do desenvolvimento e mortalidade infantil. A captação precoce no pré-natal e o monitoramento nutricional da gestante são as estratégias mais efetivas.
3.6. Investigação de óbitos materno-infantis
Conforme registrado em 2.4, o SIM local de Aurora do Pará não registra óbitos infantis no quadriênio. A meta do PMS 2026-2029 é investigar 100% dos óbitos infantis e fetais em até 60 dias, 100% dos óbitos de mulheres em idade fértil (MIF, 10-49 anos) e 100% dos óbitos maternos. A factibilidade dessa meta exige a reativação plena do Comitê Municipal de Investigação, com ata trimestral e relatório anual ao Conselho Municipal de Saúde.
4. Morbidade e Doenças Crônicas
4.1. Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica (ICSAB)
As ICSAB são internações que poderiam ter sido evitadas pelo manejo adequado na Atenção Primária. Compõem o indicador hipertensão, diabetes, asma, infecções urinárias, gastroenterites, doenças preveníveis por imunização, entre outras. A linha de base do PMS 2022-2025 era de 45% e a meta atual no DOMI 2026-2029 é 36 → 35,5 → 35 → 34,5, em regressão em relação ao plano anterior (45 → 35 → 30 → 25), conforme registrado pelo parecer técnico. O parâmetro nacional médio é de 25 a 30%.
| Indicador | Linha de base 2022 | Meta PMS 2022-2025 | Meta PMS 2026-2029 | Parâmetro nacional |
|---|---|---|---|---|
| Proporção de ICSAB sobre internações totais | 45% | 25% | 34,5% | 25-30% |
| Cobertura APS | 65% | 100% | 100% | 100% |
4.2. Hipertensão e diabetes
Os dados específicos de prevalência de hipertensão e diabetes em Aurora do Pará dependem da consolidação do e-SUS AB local no Data Warehouse, ainda em construção. Indicadores indiretos disponíveis sinalizam a magnitude do problema: as doenças do aparelho circulatório (Capítulo IX) são a principal causa de morte do município (103 óbitos no quadriênio), e a hipertensão é determinante de internações e óbitos por acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio. A proposta de emenda parlamentar 36000750224202600 (R$ 1,24 milhão) destinada a Rastreamento e Controle de Condições Crônicas reforça a centralidade do tema no PMS 2026-2029.
4.3. Internações por causas externas
A morbidade hospitalar por causas externas é significativa em Aurora do Pará por dois fatores estruturais: (i) a passagem da BR-010 pelo município, com tráfego intenso de caminhões e motocicletas; (ii) o uso massivo de motocicletas como meio de transporte e como atividade ocupacional (mototáxi). Acidentes de trânsito, quedas em ambiente de trabalho rural (extrativismo, agricultura familiar) e violência interpessoal compõem o perfil. A análise desagregada por capítulo CID (V01-V99 transportes, W00-W19 quedas, X85-Y09 agressões) depende da importação plena do SIH/SUS no DW e está marcada como lacuna no item 8 deste caderno.
5. Vigilância das Doenças Transmissíveis
5.1. Tuberculose
A tuberculose é o agravo de notificação com maior volume em Aurora do Pará no quadriênio: 33 casos registrados, segundo o painel SINAN/DATASUS consolidado no DW. Esse volume é expressivo para um município de Porte Pequeno II e indica circulação ativa do bacilo. O Pará está entre os estados de maior coeficiente de incidência da tuberculose no Brasil, e o nordeste paraense tem características epidemiológicas (vulnerabilidade social, condições de moradia, coinfecção HIV) que favorecem a transmissão. O PMS 2026-2029 deve sustentar metas de cura de TB pulmonar bacilífera, testagem anti-HIV em 100% dos casos novos e tratamento diretamente observado (TDO) com busca ativa de faltosos.
Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária
Para Aurora do Pará, a base local municipal SINAN de 2025 ainda não está disponível no Data Warehouse Akapu com detalhamento por sexo e faixa etária. O painel do caderno já utiliza o agregado SINAN/DATASUS 2022-2025 para orientar prioridades (tuberculose, dengue, violências, sífilis em gestante, hanseníase, sífilis congênita e LTA), mas esse agregado não permite, nesta rodada, construir o cruzamento sexo-faixa do ano civil de 2025 com segurança.
| Agravo priorizado no painel disponível | Notificações no quadriênio | Situação do detalhamento 2025 sexo-faixa | Implicação para a vigilância municipal |
|---|---|---|---|
| Tuberculose | 33 | Indisponível nesta rodada | Manter TDO, busca ativa de sintomáticos respiratórios, testagem anti-HIV e investigação de contatos. |
| Dengue | 23 | Indisponível nesta rodada | Sustentar ciclos de visita, vigilância laboratorial e resposta rápida em áreas da sede e dos travessões. |
| Violências interpessoais | 23 | Indisponível nesta rodada | Ativar notificação contínua em todas as UBS, com fluxo intersetorial de proteção. |
| Sífilis em gestante | 8 | Indisponível nesta rodada | Garantir testagem no pré-natal e tratamento oportuno da gestante e da parceria sexual. |
| Hanseníase | 7 | Indisponível nesta rodada | Examinar contatos intradomiciliares e monitorar cura dos casos novos. |
| Sífilis congênita | 2 | Indisponível nesta rodada | Investigar cada caso como evento sentinela de falha no pré-natal. |
| Leishmaniose tegumentar americana | 1 | Indisponível nesta rodada | Manter suspeição clínica em áreas rurais e fluxo diagnóstico regional. |
A lacuna não altera a prioridade programática já identificada: Aurora precisa fortalecer vigilância de tuberculose e hanseníase, controle de arboviroses, linha de cuidado de IST no pré-natal e notificação qualificada de violências. A desagregação sexo-faixa de 2025 deve ser refeita assim que a base local ou o fallback federal detalhado estiver disponível, porque esse recorte é necessário para diferenciar exposição ocupacional, vulnerabilidade de adolescentes, risco materno-infantil e demanda específica de adultos jovens.
5.2. Hanseníase
Aurora do Pará registrou 7 casos novos de hanseníase no quadriênio. O Pará é estado endêmico para hanseníase, com históricos coeficientes de detecção entre os mais altos do Brasil. Em municípios pequenos, 7 casos em 4 anos significam que a doença permanece ativa e exige busca ativa de contatos intradomiciliares (meta de 99% no PMS 2026-2029) e cura de casos novos (meta de 100%). A intersetorialidade com a APS, a vigilância e a articulação regional são essenciais para sustentar o tratamento de longa duração.
5.3. Sífilis (gestacional e congênita)
Foram notificados 8 casos de sífilis em gestantes e 2 casos de sífilis congênita no quadriênio. A sífilis congênita é evento sentinela: cada caso indica oportunidade perdida no pré-natal (ou rastreio não realizado, ou tratamento incompleto, ou reexposição não detectada). Os 2 casos de sífilis congênita registrados no quadriênio devem ser todos investigados pelo Comitê Municipal, com identificação da falha no fluxo do pré-natal. A meta razoável para o PMS 2026-2029 é zero casos de sífilis congênita até 2029.
5.4. Dengue e arboviroses
Aurora do Pará registrou 23 notificações de dengue no quadriênio. A região amazônica, e particularmente o nordeste paraense conectado pela BR-010, está em área de risco permanente para arboviroses urbanas (dengue, zika, chikungunya), com transmissão sustentada pelo Aedes aegypti. A meta de zero óbitos por dengue, herdada do PMS 2022-2025 e mantida no PMS 2026-2029, é o piso a ser garantido. Os ciclos de visitas domiciliares de combate ao vetor (LIRAa) precisam atingir 80% de cobertura em pelo menos 6 ciclos por ano, com atenção especial à sede municipal e às vilas ao longo da BR-010.
5.5. HIV/Aids
O painel disponível no DW agrega o município ao DATASUS federal, sem desagregação local plena para HIV/Aids no quadriênio. A meta sugerida pelo Ministério da Saúde para diagnóstico tardio (CD4 menor que 200 ao diagnóstico) é redução progressiva. A ampliação da testagem rápida na APS, em todas as gestantes (em pelo menos duas ocasiões no pré-natal), na população masculina (que tradicionalmente busca pouco a unidade) e em populações em situação de vulnerabilidade é a estratégia central, articulada à Diretriz 2 do PMS 2026-2029.
| Agravo | Notificações no quadriênio | Implicação |
|---|---|---|
| Tuberculose | 33 | Volume mais alto. Sustentar TDO, testagem anti-HIV e busca de faltosos. |
| Dengue | 23 | Sustentar 6 ciclos LIRAa por ano e meta de zero óbitos. |
| Violências interpessoais | 23 | Notificação obrigatória em todas as UBS; articulação com Segurança Pública. |
| Sífilis em gestante | 8 | Rastreio em duas ocasiões no pré-natal; tratamento da gestante e do parceiro. |
| Hanseníase | 7 | Cura de 100% dos casos novos; exame de 99% dos contatos intradomiciliares. |
| Sífilis congênita | 2 | Evento sentinela. Investigar 100% dos casos. Meta: zero até 2029. |
| LTA | 1 | Endemia amazônica. Diagnóstico via Instituto Evandro Chagas (Ananindeua). |
6. Doenças Tropicais Negligenciadas e Endemias Locais
6.1. Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA)
A LTA é doença tropical negligenciada endêmica na Amazônia, causada por protozoários do gênero Leishmania (principalmente L. braziliensis, L. guyanensis e L. amazonensis), transmitidos pela picada do flebotomíneo do gênero Lutzomyia (mosquito-palha). Aurora do Pará registra um caso confirmado no quadriênio. O perfil regional de LTA combina exposição ocupacional em áreas de mata ciliar (extrativismo, agricultura familiar, derrubada), borda urbano-rural e travessões. O diagnóstico parasitológico depende de encaminhamento ao Instituto Evandro Chagas (IEC), em Ananindeua, e o tratamento ambulatorial é realizado nas UBS com antimoniais pentavalentes (Glucantime, componente estratégico federal); casos mucosos ou graves (anfotericina B) demandam internação via PPI para Belém ou Castanhal.
6.2. Doença de Chagas Aguda
O PMS 2026-2029 traz como meta nova o controle da Chagas Aguda (meta 2.1.19 conforme parecer técnico). O Pará é o estado com maior número de notificações de Chagas Aguda do Brasil, predominantemente por transmissão oral (consumo de açaí ou bacaba contaminados). Aurora do Pará está em região onde o açaí é parte da dieta cotidiana, o que justifica a inclusão do agravo no plano. A vigilância exige articulação com VISA (boas práticas de manipulação de polpa de açaí), vigilância sentinela em UBS e capacitação de profissionais para suspeita clínica precoce.
6.3. Raiva humana e acidentes por animais peçonhentos
O PMS 2026-2029 também inclui meta de controle da raiva humana (2.1.23, conforme parecer técnico). Em municípios rurais da Amazônia, os principais reservatórios de risco são morcegos hematófagos (raiva silvestre) e cães e gatos não vacinados. As ações de vacinação antirrábica animal e a profilaxia humana pós-exposição (PEP) precisam estar disponíveis em todas as UBS. Acidentes por animais peçonhentos (cobras, escorpiões, abelhas) também são frequentes em áreas rurais; o tratamento com soro antiofídico é gratuito pelo SUS e demanda articulação com a Coordenação Estadual de Vigilância para garantir disponibilidade contínua.
6.4. Intoxicação por agrotóxicos
O PMS 2026-2029 inclui meta de redução de intoxicações por agrotóxicos (2.1.25, conforme parecer técnico), achado coerente com o perfil agropecuário do município. Aurora do Pará tem economia baseada em agropecuária e extrativismo, com uso disseminado de agrotóxicos em pequenas e médias propriedades, frequentemente sem equipamento de proteção individual e sem destinação adequada de embalagens. A vigilância exige integração com a Vigilância Sanitária, capacitação dos ACS para identificação de intoxicações crônicas, e articulação com a Secretaria Municipal de Agricultura e a EMATER para difusão de boas práticas.
7. Saúde Mental e Causas Externas
7.1. Mortalidade por causas externas
As causas externas (Capítulo XX, CID V01-Y98) somam 83 óbitos no quadriênio (16,6% da mortalidade total), com volume estável entre 19 e 22 por ano. Embora o painel agregado disponível não permita ainda a desagregação fina por mecanismo (acidentes de transporte V01-V99, agressões X85-Y09, lesões autoprovocadas X60-X84, quedas W00-W19), o perfil rural do município e a presença da BR-010 sugerem predomínio de acidentes de transporte e quedas em ambiente de trabalho. A desagregação completa é lacuna que será sanada com a importação plena do SIM e do SIH no DW (item 8.1).
| Ano | Óbitos por causas externas | Mortalidade geral | % causas externas / mortalidade |
|---|---|---|---|
| 2022 | 21 | 130 | 16,2% |
| 2023 | 21 | 130 | 16,2% |
| 2024 | 19 | 101 | 18,8% |
| 2025 | 22 | 138 | 15,9% |
| Total/Média | 83 | 499 | 16,6% |
7.2. Violências e prevenção do suicídio
O painel SINAN do quadriênio registra 23 notificações de violências, número que provavelmente subestima a magnitude real. A subnotificação de violências é histórica no SUS, especialmente em municípios com poucas unidades notificantes ativas. A meta do PMS 2026-2029 é elevar a 100% a proporção de unidades de saúde com notificação contínua de violência (linha de base do plano anterior, em torno de 1%). A capacitação dos profissionais para identificação, acolhimento e notificação é prerrequisito; a articulação com Conselho Tutelar, Assistência Social e Segurança Pública é o pilar intersetorial.
A vigilância do suicídio em municípios pequenos exige atenção redobrada. Cada óbito por lesão autoprovocada (CID X60-X84) deve disparar análise pelo Comitê Municipal e protocolo de pósvenção (acompanhamento das famílias enlutadas). O acesso ao CAPS (regional, com pactuação via CIR Metropolitana III) e a capacitação das equipes da ESF para identificação de risco (PHQ-2, PHQ-9) são estratégias estruturantes.
7.3. Articulação com saúde mental, SAMU e atenção domiciliar
A proposta de emenda parlamentar 36000778759202600 (R$ 1 milhão, MAC) prevê reforço de SAMU, saúde mental e atenção domiciliar (Melhor em Casa, EMAD/EMAP), com pactuação regional via CIR. A integração entre vigilância (notificações de violência), assistência (CAPS regional, atenção domiciliar) e regulação (SAMU, transporte sanitário) é o que efetivamente reduz mortalidade por causas externas e por suicídio em municípios pequenos.
8. Qualidade da Informação Epidemiológica
8.1. Lacunas identificadas
| Lacuna | Fonte esperada | Impacto na análise |
|---|---|---|
| Mortalidade por causas externas desagregada por tipo (transporte, agressão, autoprovocada, quedas) | SIM (filtro CID V01-Y98) | Impossibilidade de calibrar política de prevenção; não diferenciar BR-010 de violência interpessoal. |
| Internações por causas externas (SIH/SUS) | SIH local (filtro CID V01-Y98) | Magnitude da morbidade hospitalar por trauma e violência subdimensionada. |
| Investigação de óbitos infantis e fetais | Comitê Municipal + SIM | 0 óbitos infantis no SIM local não é confirmação de zero, e sim de registro a confirmar. |
| Cobertura vacinal por imunobiológico (SIPNI) | SIPNI/MS, SI-PNI no DW | Heterogeneidade vacinal não monitorável; impacto direto sobre vacinação infantil. |
| Prevalência de hipertensão e diabetes | e-SUS AB local | Perfil de DCNT baseado apenas em mortalidade e internação, não em risco gerenciado. |
| Notificações desagregadas por agravo SINAN | SINAN local | Tendência de incidência por agravo não construída; metas pactuadas sem rastreabilidade. |
8.2. Sinais e sintomas mal definidos
Os 73 óbitos classificados como mal definidos no quadriênio (Capítulo XVIII, CID R00-R99) representam 14,6% do total, valor cerca de 3 vezes acima da meta nacional (5%). Esse percentual indica que parcela relevante das Declarações de Óbito é preenchida sem diagnóstico de causa básica claro, comprometendo qualquer análise epidemiológica subsequente. A capacitação de médicos para preenchimento da DO e a revisão sistemática pelo Comitê Municipal de Mortalidade são as ações de maior retorno do PMS 2026-2029. Sem isso, qualquer redução observada nos demais capítulos pode ser apenas migração de classificação.
9. Problemas Priorizados para o DOMI
| # | Problema | Evidência | Implicação para o PMS 2026-2029 |
|---|---|---|---|
| E1 | Subregistro de óbitos infantis no SIM local | 0 óbitos infantis em 4 anos com 1.423 NV (SIM local 2022-2025) | Reativar Comitê Municipal de Investigação; meta de 100% de investigação em até 60 dias. |
| E2 | Alta proporção de óbitos com causa mal definida | 73 óbitos (14,6%) no quadriênio (Cap. XVIII, CID R00-R99) | Capacitação para preenchimento da DO e meta de redução para 5% até 2029. |
| E3 | Crescimento das mortes por neoplasias | 18 óbitos em 2025 (+80% vs 2024), com 52 no quadriênio | Linha de cuidado oncológica regional via CIR Metropolitana III; rastreamento ativo. |
| E4 | Mortalidade circulatória persistente | 103 óbitos no quadriênio, pico de 33 em 2025 | Estratificação de risco em 100% das eSF; dispensação contínua de HAS/DM. |
| E5 | Causas externas com volume estável | 83 óbitos no quadriênio (16,6%); BR-010 e mototáxi no perfil | Plano de prevenção de acidentes de transporte e da violência; vigilância em todas as UBS. |
| E6 | Cesárea elevada e crescente | 63,2% em 2025 (vs meta SUS 45%) | Pactuação regional via CIR para boas práticas obstétricas. |
| E7 | Gravidez na adolescência acima da média nacional | Média do quadriênio 21,9% (vs 14% nacional) | PSE robusto, planejamento reprodutivo, articulação com educação e assistência social. |
| E8 | Pré-natal 7+ pactuado abaixo do realizado | 74,1% em 2025 vs meta DOMI 62% em 2029 | Reabrir discussão da meta com o CMS antes da aprovação final. |
| E9 | Tuberculose com volume relevante | 33 casos no quadriênio | Sustentar TDO, busca de faltosos, testagem anti-HIV em 100%. |
| E10 | Hanseníase ativa em município pequeno | 7 casos novos no quadriênio | Cura de 100% dos casos; exame de 99% dos contatos intradomiciliares. |
| E11 | Sífilis congênita persistente | 2 casos no quadriênio (evento sentinela) | Investigar 100%; meta de zero casos até 2029; rastreio em duas ocasiões no pré-natal. |
| E12 | Endemias amazônicas (LTA, Chagas, raiva, agrotóxicos) | 1 caso de LTA; metas novas no PMS 2026-2029 | Vigilância integrada com VISA, Agricultura, EMATER; PEP antirrábica em todas as UBS. |
| E13 | ICSAB com meta menos ambiciosa que o plano anterior | Meta DOMI 34,5% (2029) vs 25% no PMS 2022-2025 | Reabrir discussão com o CMS; meta deve perseguir parâmetro nacional. |
| E14 | Lacunas estruturais de informação (SIPNI, e-SUS AB) | Cobertura vacinal por imunobiológico e DCNT na APS sem rastreabilidade | Limpeza cadastral do e-SUS AB e integração SIPNI no DW como pré-requisito. |
- Diretriz 1, Atenção Primária: cobertura APS 65% → 100%; ICSAB 34,5%; pré-natal 7+; rastreamento de câncer feminino; planejamento reprodutivo.
- Diretriz 2, Vigilância em Saúde: TB, hanseníase, sífilis, dengue, Chagas Aguda, raiva, agrotóxicos; redução de óbitos mal definidos.
- Diretriz 3, Atenção Especializada e Hospitalar: linha oncológica regional via CIR; reforma e ampliação do Hospital Municipal de Aurora do Pará (Diretriz 6).
- Diretriz 4, Saúde Mental: CAPS regional; prevenção do suicídio; vigilância de violências.
- Diretriz 5, Controle Social: ouvidoria ativa; reuniões regulares do CMS; análise dos relatórios do Comitê de Mortalidade.
- Diretriz 6, Modelo de Atenção e Infraestrutura: equipamentos do laboratório municipal, frota da Vigilância, eMulti vinculada à AB.
Legislação Citada
- Constituição Federal de 1988, art. 196 a 200 (Sistema Único de Saúde).
- Lei 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde, dispõe sobre a organização do SUS).
- Lei 8.142/1990 (participação da comunidade na gestão do SUS e transferências intergovernamentais).
- Lei Complementar 141/2012 (regulamentação do art. 198 da CF; aplicação mínima de recursos em ações e serviços públicos de saúde).
- Decreto 7.508/2011 (regulamenta a Lei 8.080/1990; Mapa da Saúde, Regiões de Saúde, COAP).
- Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017 (consolida normas sobre direitos e deveres dos usuários da saúde, organização e funcionamento do SUS; instrumentos de gestão, Título IV).
- Portaria de Consolidação GM/MS 2/2017 (Anexo IX, Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa).
- Portaria de Consolidação GM/MS 5/2017 (consolida normas sobre as ações e serviços de saúde do SUS).
- Portaria GM/MS 3.493/2024 (cofinanciamento federal do Piso da Atenção Primária à Saúde no Saúde Brasil 360, em substituição ao Previne Brasil).
- Lei 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa).
- Lei 8.213/1991 (aposentadoria rural, art. 39 e 143).
- Lei 8.742/1993 (Benefício de Prestação Continuada - BPC, art. 20).
Fontes de Dados
- SIM (base local municipal): Sistema de Informação sobre Mortalidade do município, base local consolidada no DW Akapu. Período: 2022-2025.
- SINASC (base local municipal): Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do município. Períodos: 2021-2025 e 2022-2025.
- SINASC/DATASUS e CNES/SCNES: estabelecimentos de ocorrência e tipo de gestão dos partos das mães residentes. Período: 2020-2024.
- SINAN (base local): Sistema de Informação de Agravos de Notificação consolidado no DW Akapu, com filtro por município de residência (Aurora do Pará, IBGE 150095). Período: 2022-2025.
- SIM federal (DATASUS) consolidado no DW Akapu, para cotejo com o SIM (base local municipal).
- SIH/SUS (Sistema de Informações Hospitalares do SUS) consolidado no DW Akapu, com filtro por município de residência (Aurora do Pará, IBGE 150095). Em integração no DW.
- SISAB (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica): produção APS para Aurora do Pará. Em consolidação no DW para análises do Caderno 09.
- IBGE, dados demográficos consolidados em
base demográfica IBGE consolidada: estimativas anuais 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579, variável 9324), Censo Demográfico 2022 e estimativas 2023-2025. - PMS 2022-2025 e PMS 2026-2029 de Aurora do Pará: linhas de base, metas pactuadas e DOMI. Documentos vigentes no DGMP/MS.
- Parecer técnico de revisão do PMS 2026-2029 (assessoria Akapu, 2026-04-17): inconsistências identificadas e recomendações ao CMS.
Links Utilizados
- Lei 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
- Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0001_03_10_2017.html
- Portaria GM/MS 3.493/2024 (cofinanciamento Piso APS): https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2024/prt3493_11_04_2024.html
- DATASUS, Indicadores e Dados Básicos (RIPSA), morbidade e mortalidade: http://tabnet.datasus.gov.br/
- Instituto Evandro Chagas (IEC), referência diagnóstica para LTA, malária, Chagas e arboviroses: https://www.gov.br/iec/pt-br
- Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Planejamento no SUS. Brasília: Fiocruz/MS, edições atualizadas. (Capítulos 4 e 5: Mapa da Saúde e Análise de Situação de Saúde.)
- Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes para a Programação Anual de Saúde 2026 e Plano Municipal de Saúde 2026-2029. Brasília: SE/MS, 2025.
- Brasil. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 32 - Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco. Brasília: MS, 2012.
- Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação. 4ª ed. Brasília: MS, 2020.
- Brasil. Ministério da Saúde / SVS. Boletins epidemiológicos de tuberculose, hanseníase, sífilis e leishmanioses. Edições anuais.
- Organização Mundial da Saúde. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems, 10th revision (CID-10). Genebra: OMS.
Glossário
| Termo | Definição operacional |
|---|---|
| CIR (Comissão Intergestores Regional) | Instância de governança regional do SUS, espaço de pactuação entre o estado e os municípios da Região de Saúde. Não é o mesmo que Região de Saúde, que é o recorte territorial. |
| Região de Saúde | Recorte territorial do Mapa da Saúde, agrupando municípios contíguos para organização da rede e da regulação assistencial. Aurora do Pará integra a Região de Saúde Metropolitana III, conforme Portaria GM/MS 8.124/2025. |
| DOMI | Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores. Estrutura formal do PMS prevista na Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017, Título IV. |
| ICSAB | Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica, internações que poderiam ter sido evitadas pela APS (lista brasileira definida pelo MS). |
| Mal definidos | Óbitos com causa básica classificada no Capítulo XVIII da CID-10 (R00-R99, sinais, sintomas e achados anormais), indicador de qualidade do registro. |
| MIF (Mulher em Idade Fértil) | Mulher entre 10 e 49 anos. Investigação de 100% dos óbitos de MIF é estratégia para captar óbitos maternos não classificados como tal. |
| Pré-natal 7+ | Proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram 7 ou mais consultas de pré-natal. Parâmetro ideal MS: ≥ 80%. |
| PSE (Programa Saúde na Escola) | Política intersetorial entre Saúde e Educação que leva ações de promoção, prevenção e atenção à saúde para o ambiente escolar. |
| Subnotificação | Eventos em saúde (óbitos, agravos, internações) que ocorrem mas não são registrados no sistema de informação. Compromete análises epidemiológicas e dimensionamento de políticas. |
| TDO (Tratamento Diretamente Observado) | Estratégia da Atenção Básica para acompanhamento da tomada de medicação por pacientes com tuberculose, ampliando a probabilidade de cura. |
