Perfil Demográfico
Plano Municipal de Saúde 2026-2029
Município
Sumário
- Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.
Lista de Siglas e Abreviações
| Sigla | Significado |
|---|---|
| ACS | Agente Comunitário de Saúde |
| AIH | Autorização de Internação Hospitalar |
| APS | Atenção Primária à Saúde |
| ASIS | Análise de Situação de Saúde |
| CAPS | Centro de Atenção Psicossocial |
| CIB | Comissão Intergestores Bipartite |
| CIR | Comissão Intergestores Regional |
| CNES | Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde |
| DATASUS | Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde |
| DGMP | DigiSUS Gestor - Módulo Planejamento |
| DOMI | Diretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores |
| DW | Data Warehouse |
| eSF | Equipe de Saúde da Família |
| eSB | Equipe de Saúde Bucal |
| e-SUS AB | Estratégia e-SUS Atenção Básica |
| IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística |
| MAC | Média e Alta Complexidade |
| PAS | Programação Anual de Saúde |
| PMS | Plano Municipal de Saúde |
| RAG | Relatório Anual de Gestão |
| RDQA | Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior |
| SIA | Sistema de Informações Ambulatoriais |
| SIH | Sistema de Informações Hospitalares |
| SIM | Sistema de Informações sobre Mortalidade |
| SINAN | Sistema de Informação de Agravos de Notificação |
| SINASC | Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos |
| SIOPS | Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde |
| SISAB | Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica |
| SMS | Secretaria Municipal de Saúde |
| SUS | Sistema Único de Saúde |
| TFD | Tratamento Fora de Domicílio |
Lista de Tabelas
- Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.
Lista de Gráficos e Figuras
- Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.
1. Apresentação
Este Caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do PMS 2026-2029 de Aurora do Pará. Seu objetivo é sistematizar e interpretar os dados demográficos do município, de modo que a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho Municipal de Saúde e os demais atores do planejamento disponham de uma base analítica para identificar necessidades, definir prioridades e dimensionar a oferta de serviços de saúde.
Resumo Executivo
Aurora do Pará entra no PMS 2026-2029 com perfil demográfico marcado por queda acentuada decorrente da revisão do Censo 2022, seguida de declínio sustentado. Na janela 2015-2025 (IBGE/SIDRA agregado 6579 + Censo 2022 + estimativas pós-censitárias consolidadas no DW Akapu), o saldo da década é de -5.299 habitantes (-18,0%); no recorte pós-Censo 2022-2025, o saldo é de -725 habitantes (-2,91%). A estimativa do IBGE para 2026 é tipicamente publicada em julho de cada ano.
Para o sistema de saúde, o sinal a reter é o ritmo da transição demográfica: a leitura desses números, por si só, exige cautela e precisa ser combinada com indicadores de vulnerabilidade, fluxos migratórios, capacidade instalada da rede e perfil epidemiológico para tradução em prioridades de gestão. A capacidade instalada materno-infantil deve ser preservada e qualificada; a rede de atenção à pessoa idosa precisa ser ampliada de forma planejada ao longo do quadriênio.
Para o quadriênio, três frentes mínimas são prioritárias ao PMS:
- Atualizar a leitura demográfica com a estimativa IBGE 2026 (esperada para julho/2026) e revisar metas de cobertura à luz da nova base.
- Estruturar a linha de cuidado da pessoa idosa (Portaria GM/MS 2.528/2006 consolidada na PC GM/MS 2/2017, Anexo IX) e implantar atenção domiciliar (Portaria GM/MS 689/2023) compatíveis com o crescimento da faixa 60+.
- Realizar limpeza periódica da base do e-SUS AB e cruzamento com SIM/SINASC, condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento (Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024)).
2. Localização e território
Aurora do Pará é município do nordeste paraense, com economia baseada em agropecuária, extrativismo, comércio e pequena indústria. Sua sede dista cerca de 130 km de Belém e o município é cortado pela BR-010, que conecta o Pará ao Maranhão.
2.1. Mapa do município
O território do município é apresentado a seguir com os limites oficiais. A leitura geográfica é insumo direto para a organização da rede de saúde, definindo dispersão da população, tempo de deslocamento até a sede municipal e até os polos regionais, e a viabilidade de equipes itinerantes ou de cobertura ribeirinha quando for o caso.
Fonte: malha territorial oficial do IBGE consolidada no Data Warehouse Akapu.
3. População total e série histórica (2015-2025)
| Ano | População | Variação anual |
|---|---|---|
| 2015 | 29.492 | - |
| 2016 | 29.991 | +499 (+1,69%) |
| 2017 | 30.471 | +480 (+1,60%) |
| 2018 | 30.896 | +425 (+1,39%) |
| 2019 | 31.338 | +442 (+1,43%) |
| 2020 | 31.773 | +435 (+1,39%) |
| 2021 | 32.200 | +427 (+1,34%) |
| 2022 | 24.918 | -7.282 (-22,61%) |
| 2023 | 24.610 | -308 (-1,24%) |
| 2024 | 24.321 | -289 (-1,17%) |
| 2025 | 24.193 | -128 (-0,53%) |
Fonte: IBGE, estimativas populacionais anuais 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579), Censo Demográfico 2022 e estimativas 2023-2025 consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE.
Análise
A população de Aurora do Pará apresenta, no intervalo 2015-2025 segundo as estimativas oficiais do IBGE consolidadas no DW Akapu, queda acentuada decorrente da revisão do Censo 2022. Entre 2015 (29.492 hab) e 2021 (32.200 hab), as estimativas anuais pré-censitárias seguiram trajetória própria; o Censo Demográfico 2022 (24.918 hab) revelou superestimação de 22,6% em relação à projeção de 2021 (7.282 hab; -22,6%). Entre 2022 e 2025, as estimativas pós-Censo apontam 24.193 hab. No saldo da década (2015→2025), o resultado líquido é de 5.299 habitantes (-18,0%), a ser lido como tendência de fundo para o dimensionamento do sistema de saúde no quadriênio 2026-2029.
Esses números são insumo para todos os demais cadernos da ASIS: dimensionam o denominador para indicadores de cobertura e mortalidade, calibram metas do Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) e suportam a leitura da capacidade instalada (rede assistencial, força de trabalho, recursos financeiros).
3.1. Recorte pós-Censo 2022-2025
O recorte abaixo isola o intervalo pós-Censo 2022 para evidenciar a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias do IBGE/DW Akapu (sem o ruído do salto entre a estimativa de 2021 e o resultado do Censo 2022) e permite ao gestor enxergar com clareza o ritmo da curva atual.
| Ano | População | Crescimento absoluto | Taxa de crescimento |
|---|---|---|---|
| 2022 | 24.918 | - | - |
| 2023 | 24.610 | -308 | -1,24% |
| 2024 | 24.321 | -289 | -1,17% |
| 2025 | 24.193 | -128 | -0,53% |
No quadriênio 2022-2025, o município apresentou redução líquida de 725 habitantes (-2,91%), caracterizando uma trajetória de declínio sustentado. A leitura ano a ano permite identificar se o ritmo está se acentuando, estabilizando ou revertendo, sinal direto para o dimensionamento da rede no quadriênio 2026-2029.
3.2. Crescimento natural: nascimentos e óbitos no pós-Censo
Para qualificar a leitura da desaceleração populacional, o caderno compara a variação estimada pelo IBGE com o crescimento natural registrado nos sistemas de informação em saúde: nascidos vivos do SINASC e óbitos do SIM. O saldo natural não explica sozinho a variação populacional — que também depende de migração, revisão censitária e atualização cadastral —, mas indica se a dinâmica biológica do município pressiona a população para crescimento ou retração.
| Ano | Nascidos vivos | Óbitos | Saldo natural |
|---|---|---|---|
| 2022 | 363 | 139 | +224 |
| 2023 | 401 | 144 | +257 |
| 2024 | 358 | 110 | +248 |
| 2025 | 327 | 152 | +175 |
| Total | 1.449 | 545 | +904 |
No acumulado de 2022 a 2025, Aurora do Pará registrou 1.449 nascidos vivos e 545 óbitos, resultando em saldo natural positivo de +904 pessoas. Isso significa que os nascimentos ainda superam os óbitos; portanto, quando a população estimada cai ou cresce menos do que esse saldo sugeriria, a principal hipótese de planejamento passa a ser migração líquida negativa, revisão da base populacional ou inconsistência cadastral, e não ausência de nascimentos.
Em 2025, o saldo natural foi de +175 (327 nascimentos e 152 óbitos). Para o PMS 2026-2029, a implicação prática é que a desaceleração deve ser interpretada junto com a natalidade, a mortalidade e a mobilidade populacional: a rede materno-infantil não pode ser reduzida automaticamente, enquanto a linha de cuidado da pessoa idosa precisa crescer porque os óbitos acompanham o envelhecimento e a maior carga de condições crônicas.
População e-SUS AB no DW
A população do e-SUS AB local não está disponível no Data Warehouse Akapu para este município nesta versão do caderno. A leitura de cobertura cadastral deve ser completada quando a base local do e-SUS AB for carregada ou validada.
Fonte: nascimentos do SINASC, base local municipal; óbitos do SIM, base local municipal. População e-SUS AB: e-SUS AB local indisponível no Data Warehouse Akapu. Quando a base local SIM/SINASC/SINAN não está disponível no Data Warehouse Akapu, o caderno usa as bases federais DATASUS correspondentes e registra essa substituição na Nota Técnica de apresentação.
3.3. Projeção populacional para 2029 (fim do quadriênio PMS)
Esta subseção apresenta a projeção da população residente de Aurora do Pará para o final do quadriênio do PMS 2026-2029. A projeção é estimada por regressão linear simples sobre a série pós-Censo 2022-2025, janela escolhida deliberadamente para evitar misturar a ruptura censitária de 2022 com a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias. Intervalo de confiança 95% para 2029: 22.811-23.499.
| Ano | População | Crescimento absoluto | Taxa de crescimento | Status |
|---|---|---|---|---|
| 2025 | 24.193 | - | - | Observado |
| 2026 | 23.947 | -246 | -1,02% | Projeção |
| 2027 | 23.700 | -247 | -1,03% | Projeção |
| 2028 | 23.454 | -246 | -1,04% | Projeção |
| 2029 | 23.155 | -299 | -1,27% | Projeção |
Em 2029, a população projetada de Aurora do Pará é de aproximadamente 23.155 habitantes (-1.038 hab; -4,29%) em relação a 2025, mantendo a taxa anual média observada no pós-Censo de -246 hab/ano. Essa projeção é insumo técnico de planejamento e não substitui a estimativa oficial IBGE/TCU quando publicada para o ano corrente: ao final de cada julho do ciclo, o caderno deve ser revisto à luz das novas estimativas anuais.
Para o PMS 2026-2029, a leitura prática é: o município deve dimensionar capacidade da rede, metas de cobertura e planejamento orçamentário considerando uma trajetória de redução ao longo do quadriênio. A projeção dialoga diretamente com as implicações descritas na subseção 3.4 e com os recortes específicos da pirâmide etária, do crescimento natural (nascimentos × óbitos) e da limpeza cadastral do e-SUS AB.
3.4. Implicações da desaceleração demográfica para o PMS 2026-2029
A trajetória demográfica de Aurora do Pará no intervalo pós-Censo 2022-2025 é de declínio populacional sustentado após o Censo 2022: saldo líquido de -725 habitantes (-2,91%) no quadriênio. Combinado com a revisão do Censo 2022 (-7.282 hab; -22,62% em relação à projeção pré-censitária de 2021), a década 2015-2025 fechou com -5.299 habitantes (-18,0%). A leitura comum — "o município está encolhendo, então a rede pode encolher" — é equivocada. O que está em curso é transição demográfica acelerada: a base infantil retrai e a faixa 60+ avança. A demanda total muda de natureza, não apenas de volume.
Impacto direto no financiamento per capita. O Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) — e o PAB usam o denominador populacional. Município com menos habitantes recebe menos transferência, o custo per capita aumenta com o envelhecimento (idoso consome mais consultas, exames, medicamentos contínuos e atenção domiciliar). Configura-se uma tesoura: receita cai, custo unitário sobe. O DOMI do PMS 2026-2029 precisa antecipar essa assimetria, prever fontes próprias para o aumento de custo idoso e revisar metas de cobertura à luz da nova base populacional.
Distorção dos indicadores em vigência e prioridade da limpeza cadastral. As metas do PMS 2022-2025 e os pactos do então Previne Brasil (substituído em 2024 pelo cofinanciamento federal do Piso APS, no âmbito do Saúde Brasil 360 — Portaria GM/MS 3.493/2024) foram fixados sobre estimativas pré-Censo, agora corrigidas. Algumas coberturas reportadas como "atingidas" no quadriênio anterior, recalculadas com a base do Censo 2022, podem não ter sido atingidas — o RAG/RDQA do quadriênio anterior precisa ser relido com essa lente. Adicionalmente, o cadastro do e-SUS AB tende a acumular pessoas que migraram, faleceram sem registro ou foram duplicadas, e municípios com declínio populacional são os mais suscetíveis a sobrecadastro: a limpeza cadastral periódica, com integração ao SIM e verificação em campo pelos ACS, deve ser meta explícita do primeiro ano do PMS 2026-2029, antes de qualquer outra meta de cobertura.
Migração, força de trabalho e pressão regional. O declínio populacional na Amazônia paraense não é apenas queda de fecundidade — é também migração intermunicipal de pessoas em idade ativa para centros maiores. Castanhal (Região de Saúde Metropolitana III) e Capanema (Rio Caetés), conectados pela BR-010 é o principal destino dessa migração e o principal polo de referência da rede regional. Para o sistema de saúde, isso significa: (i) dificuldade crescente de fixação de médicos e enfermeiros em vínculo permanente, ampliando a dependência de PMMB e contratação temporária — exatamente o oposto do que o envelhecimento exige (longitudinalidade do cuidado); (ii) aumento do TFD (Tratamento Fora do Domicílio) para média e alta complexidade, com pressão sobre o município-polo regional, exigindo pactuação reforçada via CIR.
Posição estratégica para o PMS 2026-2029. O Censo 2022 revelou superestimação de 22,6% nas projeções pré-censitárias — uma das mais altas do grupo de municípios paraenses analisados. As metas de cobertura fixadas no PMS 2022-2025 e nos pactos do Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) sobre essa base inflada precisam ser explicitamente reavaliadas no novo ciclo. A recomendação é tratar a desaceleração não como notícia negativa, mas como gatilho para reorientação: priorizar reorganização qualitativa sobre expansão quantitativa; pactuar regionalmente o que não pode ser sustentado municipalmente; tornar a integração das bases de informação (e-SUS AB, SIM, SINASC, CNES) pré-requisito para metas de cobertura; blindar a fixação de profissionais em vínculo permanente como condição de longitudinalidade; e construir desde já a linha de cuidado da pessoa idosa, em vez de reagir quando a pressão se materializar.
4. Pirâmide etária (2025)
| Faixa etária | Masculino | Feminino | Total | % |
|---|---|---|---|---|
| 0-4 | 956 | 926 | 1.882 | 7,8% |
| 5-9 | 1.026 | 1.019 | 2.045 | 8,5% |
| 10-14 | 1.198 | 1.114 | 2.312 | 9,6% |
| 15-19 | 1.279 | 1.110 | 2.389 | 9,9% |
| 20-29 | 2.064 | 2.018 | 4.082 | 16,9% |
| 30-39 | 1.716 | 1.812 | 3.528 | 14,6% |
| 40-49 | 1.562 | 1.525 | 3.087 | 12,8% |
| 50-59 | 1.203 | 1.056 | 2.259 | 9,3% |
| 60-69 | 736 | 712 | 1.448 | 6,0% |
| 70-79 | 439 | 364 | 803 | 3,3% |
| 80+ | 181 | 177 | 358 | 1,5% |
| Total | 12.360 | 11.833 | 24.193 | 100,0% |
Análise da estrutura
A pirâmide etária de Aurora do Pará em 2025 tem perfil intermediário, combinando base juvenil relevante, concentração adulta e topo em expansão gradual. A leitura central para o PMS 2026-2029 não é apenas o tamanho da população, mas a combinação entre entrada menor de crianças, concentração de adultos e crescimento progressivo do contingente de 60 anos ou mais.
A base mostra retração recente: a faixa 0-4 anos reúne 1.882 pessoas (7,8%), abaixo de 5-9 anos (2.045) e de 10-14 anos (2.312). Esse desenho sugere queda recente da fecundidade e tende a aliviar, de forma gradual, a pressão por expansão de vagas e ações voltadas à primeira infância.
O bojo populacional está nas idades adultas: o grupo de 20 a 59 anos soma 12.956 pessoas (53,6%), com maior concentração em 20-29 anos (4.082 pessoas). Isso sustenta a pressão cotidiana sobre saúde da mulher, saúde do trabalhador, saúde mental e acompanhamento de hipertensão, diabetes e outras condições crônicas na APS.
O topo da pirâmide já exige planejamento específico. A população de 60 anos ou mais soma 2.609 pessoas (10,8%), patamar que tende a crescer durante o quadriênio e demanda linha de cuidado da pessoa idosa, atenção domiciliar, prevenção de quedas, cuidado farmacêutico e manejo de multimorbidades.
A razão de sexo total é de 104,5 homens para cada 100 mulheres. A inversão feminina aparece a partir de 30-39 anos, padrão compatível com maior longevidade feminina; nas faixas anteriores, a predominância masculina reforça a importância de ações de saúde do homem, prevenção de causas externas e cuidado relacionado ao trabalho.
5. Grandes grupos etários
| Grupo | População | % |
|---|---|---|
| Crianças (0-14 anos) | 6.239 | 25,8% |
| Adolescentes (15-19 anos) | 2.389 | 9,9% |
| Adultos (20-59 anos) | 12.956 | 53,6% |
| Idosos (60+ anos) | 2.609 | 10,8% |
| Total | 24.193 | 100,0% |
Análise por grupo
As crianças de 0 a 14 anos somam 6.239 pessoas (25,8%). Mesmo quando a base infantil começa a retrair, o volume ainda exige agenda forte de puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa de famílias em maior vulnerabilidade.
Os adolescentes de 15 a 19 anos representam 2.389 pessoas (9,9%). O grupo precisa aparecer no PMS com ações de saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, prevenção de violências e acidentes, além de articulação permanente com educação e assistência social.
Os adultos de 20 a 59 anos são o eixo demográfico do município, com 12.956 pessoas (53,6%). Essa concentração exige uma APS capaz de manter acesso oportuno, acompanhamento longitudinal de condições crônicas, cuidado pré-natal e puerperal, saúde do trabalhador e ações de redução de riscos relacionados a álcool, violências e acidentes.
Os idosos somam 2.609 pessoas (10,8%). A pressão ainda pode parecer menor que a demanda adulta, mas é a que mais tende a crescer em complexidade: multimorbidade, uso contínuo de medicamentos, reabilitação, prevenção de quedas, cuidado domiciliar e integração com a proteção social.
Para o PMS 2026-2029, a síntese é organizar a rede para duas velocidades: manter resposta robusta às demandas de crianças, adolescentes e adultos no curto prazo, e antecipar capacidade para o envelhecimento no médio prazo. Essa leitura deve orientar metas de cobertura, agenda programática da APS, qualificação do cadastro e pactuação regional dos pontos de atenção que o município não consegue resolver sozinho.
6. Índice de dependência: leitura crítica
O índice de dependência é uma medida estrutural de composição etária. No Brasil, segue a metodologia do DATASUS/RIPSA — Indicador A.16 (Razão de Dependência), que adota explicitamente POPA0014 (0-14 anos) e POPA6099 (60 anos ou mais) como população dependente e POPA1559 (15-59 anos) como população em idade ativa — recorte alinhado à definição de pessoa idosa do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003, art. 1º). Não é um diagnóstico de dependência econômica ou funcional efetiva.
Em municípios rurais e de menor renda, parcela expressiva da população 60+ permanece economicamente ativa, sustentada por aposentadoria rural (Lei 8.213/1991, art. 39 e 143), BPC (Lei 8.742/1993, art. 20) e arranjos familiares em que o trabalho continuado de pessoas idosas é determinante para a subsistência. A IBGE/PNAD Contínua acompanha sistematicamente a participação no mercado de trabalho por faixa etária e mostra contingente relevante de pessoas 60+ ocupadas no Brasil.
Marcos normativos: Lei 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa) define como idosa a pessoa com 60 anos ou mais e assegura direito ao envelhecimento ativo e à autonomia; a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (Portaria GM/MS 2.528/2006, consolidada no Anexo IX da PC GM/MS 2/2017) e a Estratégia Brasileira para a Promoção da Pessoa Idosa (Decreto 9.921/2019) adotam o paradigma do envelhecimento ativo e da capacidade funcional, e não da dependência presumida pela idade cronológica. Para o planejamento, use o índice como sinalizador de tendência demográfica, não como medida de carga real sobre a economia familiar ou sobre o sistema de saúde.
Caderno de Saúde - PMS 2026-2029 | Município | Assessoramento Akapu Saúde
